
Nádia Campeão faz intervenção no 16º Congresso do PCdoB, em Brasília, em 18/10/2025 | Murilo Nascimento
A presidenta interina do PCdoB, Nádia Campeão, afirmou que as eleições de 2026 representam um momento decisivo para o futuro do país e para a defesa da democracia. Em entrevista ao programa Entrelinhas Vermelhas ela disse que impedir o retorno da extrema direita ao poder é uma “exigência histórica”, diante do que classificou como um projeto “antinacional, antidemocrático e destrutivo”, já vivido durante o governo Bolsonaro.
“O Brasil não pode voltar àquele caminho”, afirmou, ao lembrar os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 como prova de que forças derrotadas em 2022 continuam ativas. Para Nádia, a vitória das forças progressistas em 2026 é condição indispensável para avançar em um projeto de desenvolvimento soberano, com justiça social e respeito aos direitos da população.
Soberania em risco no cenário internacional
Durante a entrevista, Nádia destacou que o contexto internacional se tornou mais hostil com a retomada de uma política agressiva dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump. Segundo ela, o chamado “tarifaço”, com sobretaxas sobre produtos brasileiros, faz parte de uma estratégia de contenção da autonomia dos países do Sul Global.
“Fica evidente que, mesmo quando o Brasil reage com medidas técnicas e diplomáticas, o desafio maior é estrutural”, avaliou. Para a dirigente, a dependência da lógica financeira internacional impede o desenvolvimento nacional. “Como promover investimentos em ciência, indústria ou saúde com juros reais de 15%? É impossível”, disse.
Desenvolvimento e investimento público
Nádia também criticou a separação entre gastos sociais e investimento produtivo. Para ela, políticas públicas em áreas como educação, saúde, segurança e habitação são fundamentais para o crescimento econômico. “Não basta vencer as eleições — embora isso seja fundamental”, afirmou. “É preciso construir um novo pacto social que una trabalhadores, setor produtivo nacional e forças democráticas.”
Ela ainda cobrou uma postura mais ativa de setores empresariais diante do avanço da extrema direita, que, segundo ela, também são prejudicados por agendas ultraliberais.
Internacionalismo e defesa dos direitos humanos
Ao tratar da política externa, Nádia defendeu uma atuação firme do Brasil contra guerras, agressões imperialistas e genocídios. Citando a situação em Gaza, afirmou que o PCdoB atua na solidariedade internacional e na denúncia do governo israelense. “O internacionalismo não é retórica; é prática concreta de resistência”, declarou.
Unidade como estratégia para 2026
Encerrando a entrevista, Nádia Campeão destacou a importância da unidade política e da renovação da militância, com protagonismo de mulheres, jovens e trabalhadores. Segundo ela, o fortalecimento dessas bases é essencial para ampliar a defesa da democracia.
“O momento exige coragem coletiva”, concluiu. “Não podemos permitir que o Brasil volte a ser refém de forças que odeiam o povo e servem a interesses estrangeiros. 2026 será a nossa trincheira.”
Assista à entrevista:
*Com o portal Vermelho





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