O silêncio dos políticos de extrema-direita em Alagoas diante das mudanças de posicionamento do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), chama atenção no cenário político local. Principal liderança do bolsonarismo no estado, JHC construiu sua trajetória marcada por constantes mudanças partidárias e de postura política, o que lhe rendeu a imagem de um “camaleão político”.
Ao longo da carreira, o prefeito passou por diferentes legendas, como Solidariedade, PSB e PL, adaptando seus discursos e alianças conforme as janelas de oportunidade se abriam. A lógica que orienta essas mudanças é clara: o reposicionamento político ocorre sempre que se apresenta como uma alternativa vantajosa para sua permanência e fortalecimento no poder.
Nesse processo, a extrema-direita local acabou sendo politicamente capturada. Parlamentares do campo bolsonarista passaram a integrar a estrutura da Prefeitura de Maceió por meio da indicação de parentes, aliados e cabos eleitorais para cargos comissionados e funções estratégicas, incluindo secretarias municipais. Essa dependência administrativa ajuda a explicar o silêncio público desse grupo diante das mudanças operadas por JHC. Trata-se do fisiologismo clássico: toma lá, dá cá.
O episódio mais simbólico desse novo alinhamento foi o discurso do prefeito durante a entrega de residências do Programa Minha Casa Minha Vida, quando fez uma oração direcionada ao presidente Lula. O gesto foi interpretado como um sinal político claro, traduzido como um pacto entre o prefeito e o presidente da República.
Esse pacto representa uma mudança de rota: JHC passa a se deslocar politicamente em direção ao campo petista, enquanto a extrema-direita local, dependente da estrutura da prefeitura, opta pelo silêncio. Assim, o prefeito avança em sentido oposto ao bolsonarismo, sem enfrentar resistência pública dos setores que antes o tinham como principal liderança.





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