As decisões do governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, passaram a representar o principal fator de risco geopolítico para o Brasil, segundo o relatório Risco Brasil, divulgado neste mês pela consultoria Arko Advice. O estudo classifica o risco geopolítico do país em 48 pontos, em uma escala de zero a 100, considerado de nível médio, com tendência de crescimento nos próximos meses.
Entre os fatores apontados estão a possibilidade de aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos e a decisão do governo norte-americano de classificar facções criminosas, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas, medida que pode resultar em sanções econômicas secundárias.
Em entrevista à CNN Brasil, o CEO da Arko Advice, Murillo de Aragão, afirmou que a influência da política internacional sobre a eleição presidencial brasileira é inédita desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
“Nós nunca tivemos uma influência tão grande da geopolítica em uma eleição. A última vez que isso ocorreu foi em 1945, por causa do conflito global.”
Segundo o cientista político, as medidas adotadas pelos Estados Unidos não devem definir, por si só, o resultado das eleições de outubro de 2026, mas tendem a alterar as estratégias das campanhas e inserir a política externa como um dos principais temas do debate eleitoral.
Além do cenário internacional, o relatório aponta o ambiente político-institucional como o maior foco de risco para o país. Entre os fatores citados estão conflitos entre os Poderes, escândalos políticos, o elevado volume de emendas parlamentares e a dificuldade de diálogo entre as instituições.
No campo geopolítico, o estudo também alerta para os reflexos da instabilidade no Estreito de Hormuz sobre os preços do petróleo e do diesel, com impactos potenciais na inflação e no abastecimento nacional.
O relatório destaca que fatores externos podem influenciar o ambiente econômico e político, mas não determinam isoladamente o resultado das eleições.
Em resposta à decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas, o Ministério das Relações Exteriores manifestou preocupação com possíveis consequências jurídicas, econômicas e diplomáticas. Em documento enviado à Câmara dos Deputados, o Itamaraty alertou para os desdobramentos da medida, enquanto o Departamento de Estado norte-americano descartou a hipótese de qualquer ação militar em território brasileiro.
Como alternativas para reduzir a vulnerabilidade do país, especialistas citados no estudo defendem o fortalecimento da diplomacia multilateral, a diversificação dos mercados de exportação, o reforço da legislação contra interferência estrangeira e a ampliação da cooperação internacional em segurança, preservando a soberania nacional.
Para a Arko Advice, o Brasil dispõe de instrumentos institucionais para enfrentar pressões externas, desde que atue de forma coordenada e baseada em informações técnicas. O relatório conclui que a geopolítica tende a influenciar o ambiente eleitoral de 2026, sem, contudo, ser o único fator determinante para o resultado das urnas.
*Com o portal Vermelho





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