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Povo Xukuru-Kariri cobra homologação definitiva de território em carta ao presidente Lula

por | 26 jan, 2026

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Foto: Adriano Arantos/CIMI

O povo indígena Xukuru-Kariri, originário do território tradicional localizado no município de Palmeira dos Índios, em Alagoas, divulgou uma carta aberta dirigida ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e à sociedade alagoana, na qual reafirma sua luta histórica pela homologação definitiva de suas terras e defende que o processo seja conduzido com responsabilidade, diálogo e respeito à dignidade humana.

No documento, datado de 23 de janeiro de 2026, o povo Xukuru-Kariri saúda a presença do presidente em Alagoas e destaca a relação ancestral com a terra, definida como espaço sagrado, fundamental para a sobrevivência física, cultural e espiritual da comunidade. Na carta, a terra é apresentada não como mercadoria, mas como mãe, altar e morada sagrada, onde a vida se renova e se protege.

O texto relembra o histórico de sucessivas injustiças enfrentadas pelo povo indígena, marcado pela negação do direito ao território tradicional ao longo de gerações. Segundo a carta, a ausência da homologação compromete a dignidade, a paz e a continuidade do modo de vida Xukuru-Kariri, baseado na vida comunitária, nos rituais, na fé e no cuidado com a natureza.

A carta destaca que o processo de demarcação do território tradicional está em andamento e reforça o pedido para que o governo federal conclua a homologação definitiva, apresentada como um ato de justiça histórica, de cumprimento da Constituição Federal de 1988 e de promoção da paz social. Para o povo Xukuru-Kariri, a homologação é vista como um passo necessário para restaurar direitos, curar feridas e assegurar que a vida siga com dignidade.

No documento, o povo indígena também recorda o apoio dado à eleição do presidente Lula, afirmando que acreditou no compromisso assumido, desde o período de transição de governo, de homologar o território Xukuru-Kariri, demarcado durante o segundo mandato presidencial. A carta expressa a frustração com a demora e questiona até quando a comunidade deverá continuar aguardando a conclusão do processo.

Outro ponto abordado é a situação das famílias não indígenas que ocupam áreas do território reivindicado. O povo Xukuru-Kariri defende que qualquer eventual retirada seja conduzida pelo Estado com responsabilidade, diálogo e respeito à dignidade humana, ressaltando que a dor não deve ser multiplicada nem utilizada para aprofundar injustiças.

A carta também manifesta preocupação com situações registradas no município que podem gerar tensões e conflitos, caso não sejam tratadas com responsabilidade institucional. Segundo o documento, a homologação do território contribuirá para encerrar disputas, fortalecer a justiça e garantir a paz social, destacando que não há paz verdadeira sem justiça.

Ao final, o povo Xukuru-Kariri reafirma sua ligação espiritual com a terra e o direito de utilizá-la para semear, colher, partilhar e rezar, rejeitando qualquer forma de especulação. A carta define o território como altar sagrado e pede que suas reivindicações sejam acolhidas pelo Estado brasileiro e transformadas em ações concretas.

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