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Estudo revela desmatamento de 27% da Caatinga em Delmiro Gouveia ao longo de 33 anos

por | 29 jan, 2026

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Foto: Ascom IMA/AL

Por Geraldo de Majella*

Um estudo científico publicado em 2019 na Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável chama a atenção para a situação da Caatinga no município de Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas. A pesquisa foi desenvolvida por Amparo dos Santos Silva, graduanda do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Alagoas (Ufal); Flávio Henrique dos Santos Silva, do curso de Engenharia de Agrimensura; Gilvanete dos Santos, do curso de Ciências Biológicas; e Maria José de Holanda Leite, professora da Ufal, campus Delza Gitaí, em Rio Largo.

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e ocupa cerca de 11% do território nacional. Em Alagoas, ela está presente em aproximadamente 48% do estado, concentrando-se principalmente na região do semiárido, incluindo Delmiro Gouveia, Olho d’Água do Casado e Piranhas.

O que o estudo analisou

A pesquisa utilizou imagens de satélite das missões Landsat, processadas por meio da plataforma MapBiomas e do software QGIS, para mapear a cobertura vegetal da Caatinga em quatro momentos distintos: 1985, 1996, 2007 e 2018. A análise multitemporal permitiu acompanhar a dinâmica do desmatamento e da regeneração da vegetação ao longo do tempo.

Em 1985, Delmiro Gouveia possuía cerca de 269,33 km² de Caatinga. Onze anos depois, em 1996, essa área caiu drasticamente para 167,37 km², uma redução de quase 102 km². Em 2007, a perda continuou, chegando a 151,56 km².
Regeneração recente, mas ainda insuficiente

O levantamento aponta que, em 2018, houve um processo de regeneração da vegetação, com aumento da área de Caatinga para 197,81 km², o que representa uma recuperação de 46,25 km² em relação a 2007. Apesar desse avanço, os autores ressaltam que a regeneração ocorre após um longo período de desmatamento intenso e processos de desertificação.

Segundo o estudo, essa recuperação parcial pode estar associada a fatores climáticos, como períodos de maior volume de chuvas — quando a Caatinga entra no chamado “tempo verde” —, além de ações institucionais voltadas ao combate à desertificação no semiárido brasileiro.

Foto: Ascom IMA/AL

Pressões históricas sobre o bioma

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o desmatamento da Caatinga está diretamente ligado à expansão da agricultura e da agropecuária, aos incêndios, ao corte de madeira para fins comerciais e à produção de carvão vegetal, atividade que ainda garante renda para populações em situação de vulnerabilidade social.

Essas práticas exercem forte pressão sobre os recursos naturais, resultando em degradação ambiental, perda de biodiversidade e aumento da vulnerabilidade climática. Em Alagoas, o cenário é ainda mais preocupante: menos de 1% da Caatinga do estado está protegida por unidades de conservação, e o Sertão do São Francisco concentra alguns dos principais focos de desmatamento.

Importância do monitoramento ambiental

Os autores destacam que o mapeamento contínuo da cobertura vegetal é fundamental para compreender a evolução do território e orientar políticas públicas. Ferramentas como o MapBiomas, que utiliza imagens de satélite processadas em escala nacional, permitem acompanhar o avanço do desmatamento e identificar áreas em processo de recuperação.

O estudo conclui que, embora haja sinais de regeneração da Caatinga em Delmiro Gouveia, a recuperação do bioma depende de maior fiscalização ambiental, ampliação das áreas protegidas e novos estudos de sensoriamento remoto, capazes de acompanhar com mais precisão as mudanças no uso e cobertura do solo.

Um alerta para o futuro

A pesquisa reforça que entender a dinâmica da Caatinga é essencial para o planejamento ambiental de Alagoas. Sem ações efetivas de proteção, o bioma — fundamental para o equilíbrio climático do semiárido — permanece sob risco. A regeneração observada é um sinal positivo, mas ainda frágil diante de décadas de degradação.

*Historiador e jornalista

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