
A médica hematologista Verônica Guedes | Agência Alagoas
Salvar uma vida pode depender de um gesto simples, mas raro. Em Alagoas, apesar de 69.680 pessoas estarem cadastradas como doadoras de medula óssea, a chance de encontrar compatibilidade total entre doador e paciente é de apenas 1 em cada 100 mil. O alerta é do Hemocentro de Alagoas.
A médica hematologista Verônica Guedes, que atua no Hemoal, acompanha diariamente pacientes diagnosticados com doenças graves como leucemia e aplasia medular. Para muitos deles, o transplante é a única possibilidade de cura.
“A dificuldade de encontrar um doador compatível com um receptor ocorre porque é necessário que o código genético de ambos seja semelhante para que a doação e o transplante ocorram e o paciente seja curado. Como o Brasil é um país miscigenado, com indígenas, africanos, europeus, americanos e asiáticos, essa compatibilidade se torna uma tarefa cada vez mais complexa”, explica a médica.
Segundo ela, ampliar o número de cadastrados é fundamental para aumentar as chances de cruzamento compatível no banco nacional.
“Os alagoanos que desejam praticar um gesto nobre e salvar uma ou mais vidas podem procurar uma das unidades do Hemoal e fazer o cadastro”, reforça.
Como funciona o cadastro
Para se tornar doador, é preciso ter entre 18 e 35 anos, estar em boas condições de saúde, não ter doenças infectocontagiosas ou autoimunes e não ter histórico de câncer. É necessário apresentar RG ou CPF e comprovante de residência.
O voluntário preenche um formulário e doa apenas 5 ml de sangue. A amostra passa por exames laboratoriais para identificação do código genético, que é inserido no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. Esses dados são cruzados com o cadastro de pacientes que aguardam transplante.
Caso haja compatibilidade, o doador é chamado para exames complementares e, confirmada a condição ideal, realiza o procedimento. As despesas com deslocamento e hospedagem são custeadas pelo Ministério da Saúde.

Foto: Agência Alagoas
Procedimento é seguro
A especialista esclarece que a doação é feita por meio de punção na medula óssea — que não deve ser confundida com a coluna vertebral — para retirada de um líquido esponjoso que será transplantado no paciente.
“Após a realização da doação, o voluntário retoma suas atividades normais em até 48 horas. É um gesto decisivo para salvar a vida de alguém que corre contra o tempo à espera de um transplante”, afirma Verônica Guedes.
Onde se cadastrar
Em Arapiraca, o cadastro pode ser feito na Unidade Eldorado, próxima à Escola Alternativa, de segunda a sexta, das 7h às 18h, e aos sábados, das 7h às 17h.
Em Maceió, o atendimento ocorre na Unidade Trapiche, ao lado do HGE, de segunda a sexta, das 7h às 18h, e na Unidade Via Expressa, ao lado do Hospital Metropolitano, de segunda a sexta, das 7h às 18h, e aos sábados, das 7h às 17h.




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