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Presidente da Fundação Palmares apoia mudança do nome da Avenida Fernandes Lima, em Maceió

por | 25 fev, 2026

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Foto: Divulgação

O presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, manifestou apoio formal à proposta de alteração do nome da Avenida Fernandes Lima, uma das principais vias de Maceió, para Avenida Tia Marcelina. A posição consta no Ofício nº 334 (SEI 01420.100306/2026-24), no qual a Fundação declara apoio integral ao pleito apresentado pelo movimento negro alagoano, com ênfase nas reivindicações dos povos de terreiro.

No documento, a Fundação ressalta que, embora respeite a autonomia do Poder Legislativo Municipal, entende que a permanência da homenagem a Fernandes Lima não se harmoniza com os valores constitucionais de liberdade religiosa, cidadania e valorização da memória da cultura negra. A manifestação destaca que Fernandes Lima é apontado como responsável pelo episódio de 1912 marcado pela invasão e destruição de terreiros em Maceió, com agressões a lideranças religiosas e consequente êxodo de pais e mães de santo.

Ao defender a mudança, João Jorge sustenta que a nova denominação — Avenida Tia Marcelina — representaria uma reparação simbólica. Tia Marcelina é reconhecida como fundadora do candomblé em Alagoas e foi assassinada durante o ataque ocorrido na noite de 2 de fevereiro de 1912. Seu nome, segundo o ofício, tornou-se símbolo de resistência negra e de enfrentamento à intolerância religiosa.

A Fundação Cultural Palmares também contextualiza o debate lembrando que Alagoas carrega o legado histórico do Quilombo dos Palmares, referência nacional e internacional de luta contra a escravidão. Para o presidente da instituição, há um descompasso entre esse simbolismo e a manutenção de uma homenagem associada a um dos episódios mais violentos de intolerância religiosa no estado.

O apoio da Fundação foi formalizado após audiência pública realizada em 11 de fevereiro de 2026. No ofício, a instituição solicita a atuação da Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) na busca pelo que classifica como reparação histórica.

A manifestação insere o debate sobre a toponímia urbana de Maceió em um contexto mais amplo de revisão de marcos simbólicos, especialmente aqueles relacionados à memória da população negra e à liberdade de culto no Brasil.

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