
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
Reportagem da Revista Piauí aponta que o envolvimento do presidente do União Brasil, Antonio Rueda, com o Banco Master é mais amplo do que se sabia até então. Segundo a publicação, documentos judiciais mostram que ele e sua irmã, Maria Emília de Rueda, atuaram pessoalmente na defesa do banco, de propriedade do empresário Daniel Vorcaro, em ao menos duas ocasiões entre 2023 e 2024.
A assessoria de Rueda confirmou que o escritório da família, Rueda & Rueda, prestou serviços jurídicos ao Banco Master. Em nota, afirmou que a atuação incluiu “dezenas de pareceres e centenas de reuniões, incluindo mais de 1.000 audiências, cerca de 20 mil protocolos e aproximadamente 400 acordos”. A defesa classificou a atividade como “legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia”.
A declaração, no entanto, contrasta com posicionamento anterior do próprio Rueda. Em nota divulgada no dia 17, ele afirmou não possuir “qualquer relação” com Vorcaro além de contatos sociais eventuais. A manifestação ocorreu após o jornal O Globo revelar conversas entre o banqueiro e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, nas quais o nome de Rueda é mencionado.
De acordo com a Revista Piauí, Rueda participou diretamente de ao menos um processo envolvendo o banco. O caso tramita na 24ª Vara Cível de Belo Horizonte e foi movido pelo Instituto Defesa Coletiva, que pede indenização de R$ 48,5 milhões por supostas contratações irregulares de crédito consignado. Em outubro de 2024, já como presidente do União Brasil, Rueda apresentou procuração para atuar como representante do Master na ação.
Outro processo identificado pela revista remonta a março de 2023, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, conduzido por Maria Emília de Rueda. Na ocasião, o banco tentou reverter decisão que limitava descontos no contracheque de uma aposentada, em meio a indícios de superendividamento de clientes. O pedido foi rejeitado.
A publicação destaca ainda conexões indiretas envolvendo o escritório da família. Em 2024, a Agência Pública revelou que a banca também representa a Cedro Participações, empresa ligada a Lucas Kallas, sócio de Vorcaro em outro empreendimento. Há ainda registro, segundo a CNN, de indícios de que Rueda teria utilizado aeronave do empresário.
A dimensão da atuação jurídica sugere, segundo a Revista Piauí, a existência de um contrato de grande porte entre o escritório e o Banco Master. Questionado, Rueda não informou valores nem detalhes da remuneração, reiterando que sua atuação ocorreu dentro dos padrões legais e que não há conflito entre advocacia e atividade política.
A reportagem também confirmou a existência de mensagens trocadas em fevereiro de 2025 entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa, nas quais há menção a um possível encontro com Rueda. Não há confirmação de que a reunião tenha ocorrido.
Em fevereiro de 2026, Rueda voltou ao centro do debate ao defender o ministro do STF Dias Toffoli, que havia se afastado da relatoria de caso envolvendo o Banco Master. Em nota conjunta com o senador Ciro Nogueira, o dirigente criticou o que chamou de “narrativas” contra o magistrado.
Procurado pela Revista Piauí, Rueda negou participação em tratativas relacionadas à venda do Banco Master ao BRB e afirmou que não comenta diálogos privados divulgados sem autorização. A defesa do banco não se manifestou.




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