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Por Geraldo de Majella*
O encerramento da chamada “janela partidária” — prazo determinado por lei para mudanças de partido sem perda de mandato — provocou alvoroço na Câmara Municipal de Maceió. Após o fim do período, vereadores do PL recuaram da desfiliação que os levaria ao PSDB, nova sigla do ex-prefeito João Henrique Caldas. O PL foi, aparentemente, o mais atingido. Alguns parlamentares chegaram a alegar que teriam sido filiados ao PSDB sem autorização — justificativa pouco plausível quando se trata de agentes políticos experientes, que priorizam, acima de tudo, a preservação do mandato e das vantagens que ele proporciona.
Passados dez dias, o cenário tende a se acomodar. Novos acordos começam a ser negociados em outras bases, como de costume. É assim que o sistema político opera: tensão momentânea, seguida de recomposição silenciosa e rearranjos pragmáticos.
Entre os parlamentares, o mais estridente é o vereador Kelmann Vieira, que migrou do MDB para o PSDB. É, entre todos, o que mais muda de posição e opinião. Mantém um ritmo frenético de atuação e, mesmo com a experiência de já ter presidido a Câmara Municipal, acumula desgaste político. Diferentemente dos demais integrantes da base de sustentação do prefeito — seja quem for o chefe do Executivo —, acaba assumindo posições mais expostas, enquanto os outros evitam entrar em “bola dividida”.
Em discussão no plenário com o vereador Rui Palmeira, o vereador Kelmann Vieira afirmou que R$ 117 milhões do Iprev foram investidos no Banco Master com garantias. O Master foi liquidado pelo Banco Central, e os recursos destinados às aposentadorias dos servidores municipais foram perdidos. Diante dos questionamentos apresentados por Rui Palmeira, Kelmann Vieira silenciou, sem conseguir sustentar a gravidade da afirmação nem explicar o destino dos milhões de reais consumidos na “pirâmide” do Banco Master.
Nos bastidores, a extrema-direita, liderada pelo vereador Leonardo Dias, mantém centenas de cargos no Executivo, enquanto, publicamente, ensaia movimentos para questionar mandatos na Justiça. A contradição entre a ocupação de espaços no governo e o discurso de enfrentamento expõe a lógica de funcionamento desse campo político.
O pensamento fisiológico que orienta esse grupo pode ser resumido na fala do vereador Leonardo Dias: “O PL não é formado apenas por bolsonaristas. Há composições com filiados de centro e de direita”. Na prática, essa formulação funciona como justificativa para manter espaços e benefícios, sem qualquer compromisso programático. O que se apresenta como “nova política” revela, na essência, o mesmo comportamento fisiológico das velhas práticas.
Esses mandatos funcionam como agências de empregos, voltadas à satisfação de interesses pessoais e subordinadas aos grupos econômicos a quem prestam obediência.
O prefeito Rodrigo Cunha tem experiência política e manterá sob sua órbita todos os que integravam a base do ex-prefeito, preservando as mesmas relações de poder e assegurando, como resultado, o controle político da Câmara Municipal. A gritaria faz parte da encenação. Na prática, o controle permanece sob o comando de Chico Filho e do próprio Rodrigo Cunha.
*Historiador e jornalista





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