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Dos livros que li

por | 19 abr, 2026

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Por Mácleim Carneiro 

Neste último final de semana, li dois livros extremamente prazerosos e de uma talagada só. Foram dois deliciosos tragos! Um, da mais pura poesia, no sentido da pureza refinada e virtuosa ao fazer poético. O outro, de uma proza relaxada, de gêneros confluentes, onde o próprio autor classifica ser uma “seleta literária”.

O primeiro, foi o recente lançamento do poeta Sidney Wanderley, pela editora Matrizz. O incisivo, provocativo e agudo – como escreveu Raduan Nassar, sobre o poeta – livro Philip Glass em Viçosa. A propósito, nunca acreditei no que, certa vez, revelou o poeta! Sobretudo, quando o poeta é, de fato, um poeta. Em outras palavras, não acreditei quando o poeta e pensador da megalópole da Zona da Mata apregoou, aos quatro cantos alhures de Viçosa, que havia, deliberadamente, decretado sua aposentadoria da poesia como ofício.

Ainda bem que a sua promessa não teve a força de sua poesia, pois, do contrário, a humanidade não teria, agora, ao seu dispor, mais essa pedra angular, para o arcabouço da poesia de um planeta bélico, embora belo. Tópicos como: Tríptico ianque, Viagem, Algum afeto, Em torno da água, e o Início, traduzem a densidade da poesia milimetricamente certeira e assertiva do poeta, que “aspira a criar um deus que crie um mundo onde o silêncio e as palavras luminosas sejam as únicas entidades admitidas”, e soube despertar a dúvida de incautos como eu.

Afinal, alguém que escreve: “A vida toda uma odisseia íntima: viagem de mim a mim, afinal inatingido. Que pode a fúria de águas sublevadas contra a força de pedras resignadas a vida toda?, a vida toda essa odisseia ínfima”, deve ser lido de cabo a rabo, agora e sempre!

O segundo livro, foi ‘Pelas Ruas Que Andei’ – Crônicas de uma cidade acrônica –, do meu querido mestre Tom Torres. Uma deliciosa coletânea de causos vividos e passados pelo autor, em Alagoinhas, BA, que perpassam sua infância, juventude e maturidade. Trata-se de uma leitura descompromissada com qualquer rigor literário, onde a coloquialidade do autor nos deixa inteiramente à vontade, para boas gargalhadas e, particularmente, ouvir ecos da minha infância e adolescência, vividas e passadas em Murici. Com menos teatros, menos clubes sociais e menos puteiros, evidentemente.

Tom Torres tem pedigree literário e em 187 páginas foi capaz de nos transportar para um tempo em que pessoas da nossa geração do mínimo faziam o máximo, do ínfimo faziam o pleno e do lúdico faziam o belo. Os inúmeros causos contados, de forma minimalista, em rápidos capítulos, têm a fluência necessária para uma leitura prazerosa, de imersão no espaço-tempo do autor, daquelas que a fome vai embora, os mosquitos fazem a festa em suas canelas e você só se dará conta depois da última página lida.

As inúmeras personagens e suas peripécias, habilmente descritas pelo autor, traçam um painel de uma época, com a amplidão inerente à vida humana, que vai da tragédia ao cômico, num espectro fiel à existência e seus atores. Duvido que alguém não saque uma boa gargalhada, ao ler relatos como este, de um repórter de campo e o narrador da partida: “ – Douglas recebeu a bola em impedimento e chutou para o gol, sem a menor chance de defesa para o goleiro Gato. E agora tá o maior cu de boi na área do Atlético… – Olha o português! Advertiu Louriival. – Esse português vai entrar no lugar de quem, Lourival?”

(*) Jornalista, escritor, cantor e compositor

No +, MÚSICABOAEMSUAVIDA!

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