
Deputado Alfredo Gaspar. Foto: Poder 360
Por Geraldo de Majella*
A formação de chapas majoritárias e proporcionais no campo da extrema-direita em Alagoas tem enfrentado dificuldades para reunir suas diferentes correntes. O Partido Liberal (PL), agora sob o comando do deputado Alfredo Gaspar, trabalha como certa a coligação com a federação formada por PP e União Brasil, que no estado está sob o comando do deputado Arthur Lira.
No desenho da chapa majoritária, despontam dois nomes principais: Arthur Lira como candidato a uma das duas vagas ao Senado e Alfredo Gaspar na disputa pelo governo estadual. Trata-se de um cenário já definido; os adversários estão com o pé na estrada: o senador Renan Filho (MDB) e o ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB).
A fragmentação interna da extrema-direita é uma realidade. O deputado Fábio Costa (PP) e o vereador Thyago Prado (PP) estão rompidos. Prado assumiu a Secretaria Municipal de Segurança Comunitária de Maceió, um espaço na gestão de JHC que era considerado reservado à indicação de Fábio Costa, mas acabou sendo ocupado pelo vereador.
Com a saída de Thyago Prado da Câmara Municipal para assumir a secretaria, abriu-se vaga para o suplente João Catunda. No entanto, Catunda solicitou licença pouco depois de assumir, levando à convocação do segundo suplente, Pastor João Luiz. Catunda será candidato a deputado federal.
O vereador Leonardo Dias tem assumido uma postura de oposição, com críticas diretas ao ex-aliado JHC. Seu nome figura entre os pré-candidatos a deputado federal. Na condição de líder do PL, denunciou o que classificou como “loteamento político” na área da saúde, questionou a autonomia do atual prefeito Rodrigo Cunha e cobrou coerência de posições anteriores de JHC em temas nacionais.
Já o deputado estadual Cabo Bebeto busca a reeleição. Com a saída do prefeito JHC do PL para o PSDB, Bebeto assumiu temporariamente o comando da sigla em Alagoas, até a nomeação de Alfredo Gaspar para a presidência do partido no estado.
Apesar disso, há avaliações de que o grupo enfrenta dificuldades para montar chapas proporcionais competitivas, tanto para deputado estadual quanto para deputado federal. Estrategistas eleitorais não incluem nomes do PL entre os prováveis eleitos à Câmara dos Deputados, e, no âmbito estadual, a projeção é de que o partido consiga eleger apenas um representante à Assembleia Legislativa.
Fundo Eleitoral
Alfredo Gaspar surge como um dos candidatos com maior disponibilidade de recursos de campanha, oriundos do Fundo Eleitoral. Em 2022, sua candidatura contou com forte apoio da estrutura política comandada por Arthur Lira. Agora, ao migrar do União Brasil para o PL, a expectativa é de que amplie esse protagonismo financeiro, passando a exercer papel central na distribuição dos recursos da campanha.
Alfredo Gaspar será mais um candidato do sistema — a mesma “instituição” que a extrema-direita critica no discurso público, mas da qual se beneficia na prática política, especialmente nas relações com bancos e empresas e no acesso às benesses do poder. Esse contraste revela uma contradição recorrente: o sistema é atacado no discurso, mas incorporado e utilizado como base de sustentação política e eleitoral.
Entre os pontos de convergência desse campo político estão o apoio a Flávio Bolsonaro, o discurso anticomunista e a defesa de pautas reacionárias. Também se destacam ataques à educação, às minorias sociais e aos professores, posições que têm orientado a atuação parlamentar desse segmento em Alagoas e no Brasil.
*Historiador e jornalista



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