
Assessoria
Às vésperas de deixar o comando da Prefeitura de Maceió, o então prefeito JHC concentrou R$ 120,5 milhões em pagamentos de subsídio ao transporte público em apenas 23 dias de março de 2026. O valor se aproxima de tudo o que foi repassado ao sistema durante todo o ano de 2025, quando os desembolsos somaram R$ 129,29 milhões.
Os pagamentos ocorreram em sequência ao longo do mês:
• 03/03 – R$ 500 mil
• 05/03 – R$ 30 milhões
• 12/03 – R$ 30 milhões
• 19/03 – R$ 20 milhões
• 26/03 – R$ 40 milhões
Em menos de um mês, a gestão municipal liberou praticamente o mesmo volume de recursos destinado ao setor ao longo de todo o ano anterior.
O subsídio ao transporte público é um instrumento utilizado por diversas cidades para manter o sistema em funcionamento, diante da insuficiência da tarifa para cobrir os custos operacionais. Sem esse tipo de aporte, há risco de aumento da passagem ou redução da oferta de ônibus.
O que chama atenção, no entanto, é o ritmo dos repasses. A concentração dos pagamentos em um período curto, imediatamente anterior à saída do chefe do Executivo, evidencia uma aceleração no cronograma financeiro do setor.
Durante a campanha que o levou à Prefeitura, JHC apresentou propostas de revisão do sistema de transporte público e fez críticas à estrutura do setor. O volume de recursos destinados ao subsídio no encerramento da gestão recoloca em pauta os critérios adotados para os repasses e o modelo de financiamento do transporte na capital.
Especialistas em gestão pública apontam que o subsídio é necessário, mas destacam que a previsibilidade e a transparência são elementos centrais na execução orçamentária. Em casos de concentração de pagamentos, a prática exige justificativas técnicas, como quitação de passivos acumulados ou reprogramações financeiras.
Outro ponto que entra no debate é a capacidade financeira demonstrada pelo município ao mobilizar R$ 120,5 milhões em poucas semanas. O volume reacende discussões sobre alternativas de financiamento do transporte coletivo, incluindo modelos como a tarifa zero, já adotados ou em análise em outras cidades.
Até o momento, não foram detalhados publicamente os critérios técnicos que orientaram a liberação dos recursos nem se os valores correspondem a pagamentos represados ou antecipações previstas. A ausência dessas informações mantém em aberto questionamentos sobre o planejamento e a execução dos repasses no período final da gestão.




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