Três policiais militares e uma ex-policial foram condenados, na noite de terça-feira (5), pela morte, tortura e ocultação de cadáver do adolescente Davi da Silva, desaparecido aos 17 anos após uma abordagem no bairro Benedito Bentes, em Maceió, em agosto de 2014.
O grupo também foi responsabilizado pela tortura de Raniel Victor, de 19 anos, que estava com a vítima no momento da abordagem. As penas, somadas, ultrapassam 100 anos de prisão. A defesa informou que vai recorrer.
A decisão foi tomada após dois dias de julgamento no Fórum Desembargador Jairo Maia Fernandes, quase 12 anos depois do crime. Os réus foram condenados a cumprir pena em regime fechado pelos crimes de cárcere privado, sequestro, homicídio qualificado, tortura e ocultação de cadáver.
As sentenças individuais ficaram assim: Eudecir Gomes de Lima foi condenado a 28 anos, 1 mês e 3 dias de prisão; Carlos Eduardo Ferreira dos Santos e Nayara Silva de Andrade receberam 24 anos, 4 meses e 13 dias cada; e Victor Rafael Martins da Silva, 23 anos, 4 meses e 24 dias.
Além das penas, os três policiais perderam os cargos públicos. Nayara, que atuava como auditora do Tribunal de Contas do Estado, também foi destituída da função e ficou impedida de exercer qualquer cargo público.

Assessoria MPAL
Durante o julgamento, o pai de Davi, Cícero Lourenço da Silva, relatou alívio parcial com a condenação, mas destacou a dor de nunca ter encontrado o corpo do filho. “Estou feliz por uma parte, mas não sei onde está meu filho. Queria ao menos um fio de cabelo para enterrar junto com a mãe dele”, disse.
A promotora Lídia Malta afirmou que a decisão encerra um longo período de impunidade. “A sociedade ouviu a dor da família e respondeu. As provas eram consistentes sobre tudo o que aconteceu”, declarou.
A mãe de Davi, Maria José da Silva, que liderou por anos a busca por respostas, morreu em dezembro de 2025, aos 68 anos, sem acompanhar o desfecho do caso. Durante mais de uma década, ela realizou mobilizações e cobrou justiça. Em 2014, chegou a sofrer um atentado enquanto aguardava em um ponto de ônibus.
Para a família, a ausência de um desfecho completo ainda pesa. “Ela morreu sem ver justiça e sem poder enterrar o filho. Isso sempre vai doer”, afirmou Ana Paula, irmã de Davi.
Testemunha-chave do caso, Raniel Victor, amigo do adolescente, foi assassinado em 2015, dois dias após deixar um programa de proteção. Ele foi encontrado morto com tiros e sinais de agressão no mesmo bairro onde Davi desapareceu.








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