O Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial para tentar reorganizar dívidas estimadas em R$ 1,1 bilhão e evitar o agravamento da crise financeira enfrentada pela companhia.
Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa atribui as dificuldades ao cenário econômico dos últimos anos, marcado por juros elevados, restrição de crédito, inflação persistente e aumento do endividamento das famílias, fatores que impactaram diretamente o setor de móveis e decoração.
A companhia afirmou que a queda nas vendas comprometeu o fluxo de caixa e dificultou o avanço das negociações de reestruturação financeira iniciadas anteriormente. “Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando”, informou a empresa.
O processo foi protocolado na Justiça de São Paulo e tramita sob segredo de Justiça.
No pedido, o grupo solicita medidas urgentes para evitar o colapso das operações e garantir a continuidade das atividades. Entre os principais pontos está a liberação de cerca de R$ 77 milhões referentes a vendas feitas por cartão de crédito e que, segundo a companhia, estariam retidos pela SRM Bank.
A empresa afirma que o bloqueio desses recursos afetou o pagamento de despesas operacionais, incluindo salários de mais de 2 mil funcionários.
O grupo também pediu a suspensão, por 180 dias, de cobranças e execuções judiciais por dívidas — período conhecido como “stay period” — enquanto negocia com credores. Além disso, busca garantir a manutenção de contratos considerados essenciais para o funcionamento da operação, como serviços de logística, transporte, computação em nuvem, energia elétrica e abastecimento de água.
A crise financeira, segundo o processo, começou a se intensificar durante a pandemia da Covid-19, período em que a Tok&Stok fechou mais de 17 lojas. Em 2023, a empresa tentou reorganizar as finanças com renegociação de cerca de R$ 339 milhões em dívidas bancárias, além de receber um aporte de R$ 100 milhões dos acionistas.
O Grupo Toky surgiu em 2024 a partir da fusão entre Mobly e Tok&Stok, formando um dos maiores conglomerados de varejo de móveis e decoração da América Latina. Além das duas marcas, o grupo também controla a Guldi, especializada em colchões e produtos de conforto.
Com informações do G1







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