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Fragmentação da vegetação nativa cresce 260% no Brasil em quase quatro décadas

por | 14 maio, 2026

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Um estudo divulgado nesta quarta-feira (13) pela plataforma MapBiomas revelou que o número de fragmentos isolados de vegetação nativa no Brasil aumentou 260% entre 1986 e 2023. Nesse período, as porções remanescentes de cobertura vegetal passaram de 2,7 milhões para 7,1 milhões em todo o país.

Os dados fazem parte do Módulo de Degradação do MapBiomas, ferramenta criada para monitorar transformações na cobertura e no uso da terra. Pela primeira vez, o levantamento analisou o avanço da fragmentação ambiental — processo que divide grandes áreas contínuas de vegetação em pequenas porções isoladas.

Além do aumento no número de fragmentos, o estudo identificou uma redução significativa no tamanho médio dessas áreas. Em 1986, os fragmentos tinham média de 241 hectares. Em 2023, esse número caiu para apenas 77 hectares.

Segundo o pesquisador Dhemerson Conciani, coordenador do Módulo de Degradação, a redução preocupa devido aos impactos sobre a biodiversidade.

“Cada vez que diminui o tamanho de um fragmento de vegetação nativa, mais problemas aparecem: aumenta o risco de extinções locais das espécies, diminui a chance de recolonização por indivíduos vindos de outros fragmentos vizinhos e maior é a proporção do efeito de borda”, explica.

O estudo mostra que quase 5% da vegetação nativa do país — equivalente a 26,7 milhões de hectares — está atualmente distribuída em fragmentos menores que 250 hectares.

A Mata Atlântica concentra a maior proporção dessas áreas isoladas, com quase 28% da vegetação remanescente fragmentada, o equivalente a 10 milhões de hectares. Em números absolutos, Mata Atlântica e Cerrado lideram a quantidade de fragmentos, com cerca de 2,7 milhões cada.

De acordo com a coordenadora técnica da Mata Atlântica no MapBiomas, Natalia Crusco, os motivos da fragmentação variam entre os biomas.

“Enquanto no Cerrado o aumento no número de fragmentos está associado ao avanço do desmatamento e à divisão de grandes remanescentes de vegetação nativa em áreas menores, na Mata Atlântica parte desse crescimento também ocorre devido à recuperação de áreas de vegetação secundária”, afirma.

Nos demais biomas, o levantamento registrou cerca de 662 mil fragmentos na Amazônia, 600 mil na Caatinga, 324 mil no Pampa e 45 mil no Pantanal.

Pantanal e Amazônia apresentaram os maiores avanços da fragmentação ao longo dos 38 anos analisados, com crescimento de 350% e 332%, respectivamente.

Na Amazônia, além do aumento da fragmentação, houve forte redução do tamanho médio das áreas preservadas. Os fragmentos passaram de uma média de 2.727 hectares, em 1986, para 492 hectares em 2023.

O levantamento também identificou distúrbios no dossel florestal da Amazônia Legal, como clareiras causadas por secas, incêndios, ventos e corte seletivo de madeira. Entre 1988 e 2024, foram detectados sinais de degradação em 24,9 milhões de hectares da cobertura florestal amazônica.

Segundo os pesquisadores, o corte seletivo de madeira aparece como uma das principais causas desse tipo de degradação, atingindo 9,7 milhões de hectares no período analisado.

Os dados mostram ainda que cerca de 24% de toda a vegetação nativa remanescente do Brasil está exposta a pelo menos um vetor de degradação ambiental, área equivalente a 134 milhões de hectares.

Para Dhemerson Conciani, o monitoramento desses indicadores é fundamental para orientar políticas públicas ambientais e reduzir emissões de gases do efeito estufa.

“Ao detectar a degradação de forma precoce é possível reverter esse processo e estabelecer áreas prioritárias para recuperação da vegetação nativa e consequente conservação das funções e serviços ambientais dos ecossistemas”, conclui o pesquisador.

*Com Agência Brasil

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