Morreu nesse domingo (24), aos 77 anos, em Recife, Maria das Graças Bandeira Mendes Costa, conhecida entre familiares e amigos como Gracinha ou Dadinha. Militante política durante a ditadura militar, ela ficou marcada pela resistência à repressão do regime e pelas torturas sofridas nos anos 1970.
Gracinha foi sequestrada em Maceió, em agosto de 1973, por agentes comandados pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, em uma operação articulada com o DOI-Codi de Pernambuco, logo após a prisão de Manoel Lisboa de Moura. Na época, sua irmã, a médica Selma Bandeira Mendes, esposa de Manoel Lisboa, entrou na clandestinidade para escapar da perseguição política.
Durante cerca de 30 dias, Maria das Graças permaneceu presa no DOI-Codi do IV Exército, no Recife, onde foi submetida a torturas e interrogatórios. Segundo relatos de familiares e companheiros de militância, os agentes buscavam informações sobre opositores do regime, entre eles Selma Bandeira Mendes, Valmir Costa e lideranças estudantis ligadas à Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Os irmãos de Gracinha, Lauro Bandeira Mendes e Sonia Bandeira Mendes, também foram sequestrados e levados ao mesmo centro de repressão, onde sofreram torturas. Apesar da violência, a família destacou que nenhum deles forneceu informações aos órgãos da ditadura.
Filha de Alexandrina Bandeira Mendes — que morreu em março deste ano, aos 107 anos —, Maria das Graças deixa o marido, Valmir Costa, um dos fundadores do Partido Comunista Revolucionário (PCR), além de três filhos.
Em nota, o coordenador do Comitê Memória, Verdade e Justiça Dom Helder Câmara de Pernambuco (CMVJRD-PE), Edival Nunes Cajá, destacou o legado de “dignidade, fé e esperança na luta por justiça social e democracia” deixado por Gracinha.
O sepultamento está marcado para esta segunda-feira (25), às 11h, no Cemitério Parque das Flores.







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