A ofensiva da Polícia Federal contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, elevou a pressão política e jurídica sobre operações semelhantes envolvendo recursos previdenciários aplicados no Banco Master em diferentes estados e municípios do país. Em Maceió, o foco recai sobre investimentos realizados pelo Instituto de Previdência do Município (Iprev) durante a administração do ex-prefeito JHC.
Nos bastidores políticos, o clima é de apreensão. A avaliação entre interlocutores é de que a operação no Rio pode desencadear novos desdobramentos em outros entes públicos que mantiveram aplicações semelhantes no Banco Master. O temor é de que o chamado “efeito Orloff” — expressão popularizada pela propaganda da vodka Orloff com o slogan “Eu sou você amanhã” — alcance também Maceió.
A operação deflagrada nesta terça-feira (26) pela Polícia Federal investiga aportes bilionários realizados pelo Rioprevidência, fundo previdenciário dos servidores do estado do Rio de Janeiro, em fundos e letras financeiras vinculados ao Banco Master. As apurações apontam que cerca de R$ 3 bilhões teriam sido direcionados à instituição financeira entre 2023 e 2024. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça e envolve suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos, fraude contra investidores e associação criminosa.
Em Maceió, o Iprev realizou aplicações de R$ 117 milhões em letras financeiras — conhecidas no mercado como “letras podres” — do Banco Master durante a gestão de JHC. O caso passou a ser alvo de questionamentos e representações junto a órgãos de controle após o agravamento da situação financeira da instituição e o avanço das investigações federais em outros estados.
Outro elemento observado nas investigações é a atuação de consultorias financeiras responsáveis por orientar investimentos de regimes próprios de previdência. Documentos do Iprev apontam que a empresa Crédito & Mercado participou de reuniões que antecederam as aplicações feitas no Banco Master em Maceió. A consultoria também aparece vinculada a análises realizadas em outros institutos previdenciários investigados pela Polícia Federal.
Além do Rio de Janeiro, aplicações de recursos previdenciários no Banco Master também passaram a ser alvo de investigações em municípios como Cajamar, em São Paulo, e Macapá, capital do Amapá. O avanço dessas apurações ampliou a apreensão política em administrações que adotaram estratégias semelhantes de investimento com recursos dos regimes próprios de previdência pública.
Nos meios políticos de Alagoas, cresce a expectativa de atuação da Polícia Federal no caso Iprev/Master. A repercussão da operação no Rio reforçou a possibilidade de novos mandados de busca e apreensão envolvendo gestores e ex-gestores ligados a aplicações de recursos previdenciários do município de Maceió. Em Brasília, também se intensifica a pressão política com a atuação do senador Renan Calheiros, que preside a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal (CAE), acompanhando o desdobramento do caso e cobrando maior rigor nas apurações sobre os investimentos dos fundos previdenciários.







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