A redução gradual da jornada de trabalho na Colômbia resultou na criação de cerca de 787 mil empregos entre 2022 e 2025, segundo levantamento da Corficolombiana, uma das principais instituições financeiras do país. A medida reduziu a carga horária semanal de 48 para 42 horas, em um processo iniciado em 2021 e que será concluído em julho deste ano.
A partir de 15 de julho, nenhum trabalhador assalariado colombiano poderá cumprir mais de 42 horas semanais. A mudança foi implementada de forma escalonada ao longo de cinco anos, permitindo a adaptação das empresas e do mercado de trabalho.
De acordo com o economista Stefano Farné, diretor do Observatório do Mercado de Trabalho e Seguridade Social da Universidade Externado, em Bogotá, apesar do aumento dos custos por trabalhador, os impactos negativos previstos por parte do setor empresarial não se confirmaram.
“Não há dúvidas de que aumentaram os custos unitários por trabalhador na Colômbia, mas o que observamos é que não houve efeitos negativos sobre o mercado de trabalho. Além disso, o emprego assalariado do setor privado segue crescendo há muitos meses”, afirmou.
A redução da jornada foi acompanhada por outras mudanças trabalhistas promovidas pelo governo do presidente colombiano, Gustavo Petro, incluindo reajustes do salário mínimo e ampliação de direitos relacionados ao trabalho noturno.
Apesar dos resultados positivos nos indicadores de emprego, parte do empresariado mantém críticas à medida. Pesquisa da Federação Nacional dos Comerciantes (Fenalco) apontou que muitas empresas reduziram horários de funcionamento, aceleraram processos de automação e reajustaram preços para compensar os custos adicionais.
Mesmo assim, o desemprego colombiano permanece em um dos menores patamares registrados nas últimas décadas, fortalecendo o debate sobre a redução da jornada em outros países da América Latina, incluindo o Brasil.
Especialistas destacam que a adoção gradual foi um dos fatores que contribuíram para a adaptação do mercado. Para Farné, a redução do tempo de trabalho é uma tendência global. “Trabalhar menos é uma tendência à qual não podemos nos opor. Vamos com calma, mas isso é um caminho mundial”, declarou.
O caso colombiano soma-se ao do Chile e do México, que também avançaram recentemente em reformas para reduzir a carga horária semanal sem redução salarial, ampliando a discussão sobre novos modelos de organização do trabalho na região.






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