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Prefeitura de SP pagou R$ 10,2 milhões a empresa de investigado pela PF

por | 26 jun, 2026

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Documentos da Prefeitura de São Paulo obtidos pelo ICL Notícias mostram que a administração municipal já desembolsou R$ 10,2 milhões na compra de filtros capacitivos fornecidos pela Blink Brasil. A empresa tem como sócio-administrador Tales Mariano Carvalho da Silva, preso pela Polícia Federal em março deste ano durante uma operação que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro.

Segundo registros da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB), os recursos foram destinados à instalação de 563 equipamentos em 130 escolas da rede municipal de ensino.

A contratação foi realizada por meio de pregão eletrônico, modalidade em que vence a proposta de menor preço. De acordo com a prefeitura, cinco empresas participaram da disputa, e a Blink Brasil apresentou a oferta vencedora.

Ata prevê até R$ 109 milhões

A compra está vinculada à Ata de Registro de Preços nº 001/SIURB/25, que prevê a aquisição de até 6 mil filtros capacitivos automatizados (110/440V), ao valor unitário de R$ 18.176,66.

O instrumento estabelece um limite de contratação de R$ 109,05 milhões, mas esse montante representa apenas o teto de gastos possível durante sua vigência. Segundo a SIURB, até o momento foram efetivamente executados R$ 10,2 milhões.

A ata permanece válida até 24 de julho de 2026 e poderá ser utilizada conforme a demanda da administração municipal.

O que são os filtros

Os filtros capacitivos são equipamentos utilizados para melhorar a qualidade da energia elétrica, reduzindo oscilações, ruídos e perdas no sistema. Segundo a prefeitura, os dispositivos foram instalados para aumentar a estabilidade da rede elétrica nas escolas, protegendo equipamentos pedagógicos e administrativos e melhorando seu funcionamento.

Ligação com investigação

Registros societários apontam Tales Mariano Carvalho da Silva como sócio-administrador da Blink Brasil.

Ele foi preso durante uma operação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de empresas e operações financeiras simuladas. Na ação, os agentes apreenderam R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo, além de documentos e equipamentos eletrônicos que passaram a integrar a investigação.

Até o momento, não há informação de que a contratação da Blink Brasil pela Prefeitura de São Paulo seja objeto da investigação conduzida pela Polícia Federal.

Preço acima de outras contratações

Documentos analisados pela reportagem mostram que o valor registrado na ata da SIURB é superior ao praticado em outras aquisições semelhantes.

Em contrato firmado com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba, a própria Blink Brasil forneceu filtros capacitivos por R$ 14,8 mil a unidade. Já uma pesquisa de preços realizada em maio de 2025 apontou valor médio de R$ 15,2 mil para equipamentos com características equivalentes.

Na comparação, o preço unitário previsto na ata da Prefeitura de São Paulo é cerca de 19% superior à média levantada.

A reportagem não encontrou, até o momento, decisões de órgãos de controle ou auditorias que apontem irregularidades na formação dos preços adotados na licitação.

O que diz a prefeitura

Em nota, a SIURB afirmou que a contratação observou todos os trâmites legais e que os equipamentos estão em funcionamento nas unidades escolares.

A secretaria informou que o pregão contou com a participação de cinco empresas e que a Blink Brasil apresentou a proposta vencedora. Também afirmou que não há impedimento legal para contratar a empresa e que todas as obrigações contratuais vêm sendo cumpridas.

Segundo a prefeitura, os filtros possuem certificações e validações técnicas de instituições como Inmetro, USP, Universidade de Nevada e Abinee. A administração municipal acrescentou que o contrato é acompanhado e fiscalizado durante toda a sua execução.

*Com ICL Notícias

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