O percentual de famílias endividadas em Maceió apresentou leve recuo em junho, mesmo em um período marcado por gastos extras com as festas juninas, o Dia dos Namorados e a Copa do Mundo. Levantamento da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pelo Instituto Fecomércio Alagoas em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta que o índice caiu de 83,2% para 82,7%.
Apesar da redução mensal de 0,5 ponto percentual, o número ainda revela um elevado comprometimento da renda das famílias, com mais de oito em cada dez consumidores possuindo algum tipo de dívida.
Segundo o assessor econômico do Instituto Fecomércio, Lucas Sorgato, a queda não representa uma mudança no cenário de endividamento, mas pode indicar um comportamento mais cauteloso dos consumidores diante das limitações do orçamento.
“A base familiar já está comprometida com parcelas, cartões, carnês ou empréstimos. Por isso, o recuo no endividamento, em junho, pode indicar uma maior cautela dos consumidores, a utilização de renda corrente para as compras sazonais ou a dificuldade de acesso a novos limites de crédito após vários meses de comprometimento financeiro elevado”, explica.
Enquanto o endividamento diminuiu, a inadimplência avançou. O percentual de famílias com contas em atraso passou de 36% para 36,6%, refletindo o impacto das dívidas acumuladas ao longo do ano sobre o orçamento doméstico.
“O consumidor chega ao mês de junho enfrentando não apenas as despesas correntes, mas também as parcelas acumuladas do início do ano e as novas compras relacionadas às datas comemorativas”, afirma Sorgato.
A pesquisa também mostra redução na parcela das famílias que se consideram muito endividadas, de 15,2% para 14%, e aumento entre aquelas que se classificam como pouco endividadas, movimento que pode estar relacionado à renegociação de dívidas, quitação de parcelas ou reorganização financeira.
O cartão de crédito permanece como a principal modalidade de endividamento, citado por 95,5% dos entrevistados. Em seguida aparecem os carnês (24,6%), crédito pessoal (20,8%), financiamento de veículos (4,2%) e financiamento habitacional (3,8%).
Segundo o levantamento, o tempo médio de comprometimento da renda das famílias é de 26 semanas, enquanto, entre os consumidores inadimplentes, o atraso médio no pagamento das contas chega a 67 dias.





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