quinta-feira, 30 julho 2026
Chuva leve
Maceió
24°C
Chuva leve
Chuva leve
Maceió
24°C
Chuva leve

O Estadão e o dilema da direita: entre o ódio a Lula e a fuleiragem de Flávio

por | 30 jul, 2026

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Por Priscila Lobregatte, do portal Vermelho

A patética convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República no sábado (25) — com a ridícula participação do presidente argentino Javier Milei e um filme fake de Jair Bolsonaro — não passou despercebida pelo jornal O Estado de S.Paulo, que há muito tempo vem espinafrando o senador.

Em editorial de terça-feira (28), uma das publicações-símbolo do conservadorismo tradicional chamou o senador de “nanico” e “minúsculo”, dando uma medida da insatisfação desse setor com o filho Zero Um do ex-presidente golpista.

“Sem nada a oferecer ao eleitor, além do sobrenome de seu pai, Flávio revelou seu verdadeiro tamanho no evento: minúsculo, sem apoio dos principais partidos do Centrão, o senador socorre-se da ‘direita internacional’ — o argentino Milei, o americano Donald Trump e o israelense Benjamin Netanyahu — e de um avatar de Jair Bolsonaro produzido por inteligência artificial para dar algum sentido à sua candidatura”, diz o editorial, intitulado “Um candidato nanico”.

O texto prossegue salientando que “o senador, em razão da sua própria insignificância, está cada vez mais à mercê de forças que não controla, numa campanha que começa a apostar no ultraje para impulsionar as suas chances de vitória”. E afirma que “o patriotismo proclamado por Flávio” é “mais uma das farsas do bolsonarismo, cujo objetivo é transformar o Brasil em vassalo dos EUA de Trump”.

As críticas feitas pelo jornal são justas. Mas, é preciso dizer que vocalizam o incômodo de setores da elite econômica com o fato de que nenhuma candidatura fora do bolsonarismo conseguiu unir a direita e emplacar na população. Para os editorialistas e aqueles que representam, isso é mortal, já que beneficia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por quem nutrem antigo ódio de classe.

Isso fica claro quando o mesmo editorial, ao falar do “patriotismo” de Flávio, afirma que “para piorar, tal comportamento joga água no moinho da campanha de Lula, que se refastela como protetor da ‘soberania’ brasileira ante os ataques externos — das tarifas de Trump festejadas pelos bolsonaristas ao comportamento delinquente de Javier Milei em solo brasileiro”.

Assim prosseguem as alfinetadas do Estadão a Lula, seguindo a fórmula usual da grande mídia de deprecia-lo para dar um verniz de imparcialidade e legitimidade à crítica feita “ao outro lado” (no caso, Flávio). Por esse lógica, aliás, tais veículos parecem estar sempre respondendo previamente à pergunta-padrão dos bolsonaristas, “mas, e o Lula?”, ao produzirem seus textos.

De qualquer forma, ver o jornal, mais uma vez, criticando Flávio não deixa de ser um ponto importante para compreender a situação difícil do senador — e, claro, da direita brasileira.

Afinal, a direita mais tradicional encontra-se órfã de um candidato alinhado aos seus desígnios elitistas e que, ao mesmo tempo, emplacasse na opinião pública e não fosse tão tóxico quanto Flávio.

Para ficar apenas nos mais conhecidos e identificados com esse estrato social, nem Ronaldo Caiado (PSD), nem Romeu Zema (Novo) — que, volúveis e sem ter o que oferecer, ora se aproximam, ora repelem os Bolsonaro — conseguiu chegar perto dos dois dígitos na preferência eleitoral do brasileiro.

O mais competitivo do polo da direita acabou sendo Flávio — não por suas qualidades, diga-se. Afinal, trata-se de um político despreparado e apequenado demais para o mais alto cargo da República, com um currículo bastante manchado por uma grande variedade de denúncias e por ligações com milícias e banqueiros corruptos, cujo único trunfo é o sobrenome do pai e que se vale do sentimento anti-PT e anti-esquerda para catapultar o seu nome.

Além disso, é importante frisar que boa parte do eleitorado de Flávio é formada por uma parcela ressentida e fascista da sociedade que não se incomoda de eleger um mandatário destrutivo e golpista, desde que a esquerda perca e que os seus interesses sejam preservados.

É nesse cenário que o Estadão e a direita mais tradicional se encontram, tal qual um equilibrista na corda-bamba. Não querem apostar suas fichas num candidato com as credenciais de Flávio, mas odeiam Lula.

Bastaria um pouco de bom-senso e humildade para esses setores enxergarem as conquistas obtidas nos últimos anos e perceberam o valor que tem um governo que respeita a democracia, a soberania e os direitos do povo.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *