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China inicia produção de máquinas para fabricar chips e desafia domínio da ASML

por | 30 jul, 2026

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A China iniciou a produção em massa de máquinas nacionais de litografia por ultravioleta profundo (DUV por imersão), tecnologia considerada estratégica para a fabricação de semicondutores. O avanço representa mais um passo da política de autossuficiência do país na indústria de chips, em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos e aliados ao acesso chinês às tecnologias mais avançadas do setor.

A informação foi divulgada pelo portal especializado The Information e confirmada pela agência Reuters. Embora os equipamentos ainda precisem passar por testes antes de competir diretamente com os modelos da holandesa ASML, líder mundial no segmento, o anúncio repercutiu no mercado financeiro. As ações da empresa caíram cerca de 8,5%, enquanto outras fabricantes europeias ligadas ao setor também registraram perdas.

Máquinas produzem os chips

O anúncio não diz respeito à fabricação de novos semicondutores, mas sim das máquinas responsáveis por produzi-los.

Esses equipamentos realizam o processo de litografia, que grava bilhões de circuitos microscópicos sobre lâminas de silício, etapa indispensável para a fabricação de chips utilizados em computadores, smartphones, veículos, equipamentos eletrônicos e sistemas de inteligência artificial.

Até agora, a ASML dominava praticamente sozinha esse mercado, fornecendo máquinas para fabricantes como a TSMC, maior produtora mundial de semicondutores. Os chips produzidos por essas empresas são utilizados por gigantes da tecnologia, como Nvidia, AMD, Apple e Qualcomm.

Ao desenvolver sua própria tecnologia de litografia, a China passa a controlar uma etapa considerada uma das mais estratégicas da cadeia global de semicondutores.

Resposta às restrições dos EUA

Nos últimos anos, os Estados Unidos ampliaram as restrições à exportação de equipamentos avançados de fabricação de chips para empresas chinesas. As medidas impediram o acesso da China às máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV) da ASML e, posteriormente, alcançaram também modelos DUV mais sofisticados.

Como resposta, Pequim intensificou os investimentos para desenvolver tecnologia nacional.

Segundo a Reuters, a produção das novas máquinas está sendo conduzida pela estatal Shanghai Aishengna Electronic Technology Group, criada em 2023 com investimentos de aproximadamente 7 bilhões de yuans (cerca de US$ 1 bilhão). A empresa reúne equipes de companhias chinesas especializadas em litografia, como SMEE e Yuliangsheng.

As primeiras unidades deverão ser entregues ainda este ano para fabricantes chinesas de semicondutores, entre elas SMIC, Hua Hong Semiconductor e ChangXin Memory Technologies (CXMT). A expectativa é produzir cinco máquinas em 2026 e cerca de 20 em 2027.

Avanço estratégico

Especialistas avaliam que a tecnologia chinesa ainda apresenta desempenho inferior aos equipamentos da ASML em aspectos como precisão, produtividade e confiabilidade. Apesar disso, o desenvolvimento é considerado um marco importante para reduzir a dependência da indústria chinesa de fornecedores estrangeiros.

Caso novas sanções restrinjam o acesso a equipamentos ou suporte técnico internacionais, fabricantes chinesas poderão recorrer à produção nacional para manter suas operações.

O avanço fortalece a estratégia da China de ampliar sua autonomia em uma indústria considerada essencial para setores como inteligência artificial, computação de alto desempenho e segurança tecnológica.

*Com o portal Vermelho

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