A Escola Municipal Jayme Amorim de Miranda, no bairro de Santa Lúcia, em Maceió, realizou nessa quarta-feira (29) uma homenagem pelo centenário de nascimento de seu patrono, o jornalista e advogado Jayme Miranda. A solenidade reuniu familiares, professores, estudantes e representantes do movimento sindical para lembrar a trajetória do militante político alagoano, desaparecido em 1975 durante a ditadura militar.
Participaram da homenagem a viúva Elza Rocha de Miranda, os filhos Olga Tatiana e Yuri Patrice, o presidente licenciado do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal), Izael Ribeiro, e o historiador Geraldo de Majella.
Durante o encontro com os estudantes, os familiares relembraram aspectos da vida de Jayme Miranda além da militância política. Olga Tatiana falou sobre a convivência com o pai e destacou a dedicação dele à família. Segundo ela, Jayme acompanhava a rotina dos filhos, ajudava nas lições de casa e ensinou xadrez às crianças, lembranças que permanecem na memória da família.
A viúva Elza Rocha de Miranda também respondeu a perguntas dos alunos sobre a convivência com o marido. Ela afirmou que Jayme era um homem amoroso e muito preocupado com a família, com ela, os filhos, os irmãos e os pais, que permaneceram vivendo em Maceió.
Yuri Miranda abordou a trajetória política do pai e as consequências da repressão para a família. Ele destacou que, quase cinco décadas após o desaparecimento, os parentes ainda não receberam informações sobre o destino do corpo.
“O corpo do meu pai, a gente não tem. O direito que a maioria das pessoas tem, nós não temos. Não sabemos que destino foi dado ao corpo dele. Isso é justo?”, questionou.
Yuri lembrou que Jayme Miranda tinha quatro filhos e afirmou que a militância do pai esteve ligada à defesa de um projeto de sociedade. “Ele buscou a clandestinidade, o perigo, o risco, para lutar pelo nosso povo, pelo nosso país”, disse.
Presidente licenciado do Sinteal e pré-candidato a deputado federal pelo PT, Izael Ribeiro ressaltou a importância da memória histórica e defendeu que os estudantes mantenham uma postura crítica diante da realidade.
“Questionem, façam perguntas, se indignem, não aceitem tudo. Vamos construir uma nova sociedade a partir da luta de vocês”, afirmou.
Militância e perseguição
Nascido em Maceió, no bairro do Poço, Jayme Miranda iniciou sua trajetória no movimento estudantil e no jornalismo alagoano. Dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), integrou a direção nacional da organização.
Antes do golpe de 1964, já era perseguido por sua atuação política. Durante o governo de Arnon de Mello, foi preso e processado sob a acusação de organizar o PCB. Depois de viver clandestinamente em Recife, foi preso, torturado pelo Exército e transferido para Maceió, onde permaneceu preso por cerca de um ano.
Preso em 1964 ficou apreso de abril a fevereiro de 1965 quando foi solto mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Em 1975, aos 49 anos, foi sequestrado por agentes da repressão, levado para São Paulo, onde foi torturado e assassinado. Seu corpo nunca foi localizado.
Jayme Miranda integra a lista de desaparecidos políticos brasileiros e seu nome permanece associado à luta pela democracia e pelo socialismo.






0 comentários