O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, afirmou ter sido procurado pela embaixada dos Estados Unidos no Brasil para receber dois representantes do Departamento de Estado norte-americano em Brasília. A visita, no entanto, não ocorreu porque a delegação teve os vistos negados pelo governo brasileiro.
Segundo o parlamentar, o contato foi feito pela assessoria da representação diplomática, sem que fosse informado o objetivo da reunião.
“A embaixada americana entrou em contato comigo pedindo para receber duas autoridades do governo americano. Eu disse que receberia com todo prazer. Eu recebo toda e qualquer autoridade de todos os países do mundo para falar sobre qualquer assunto, sem nenhum problema”, afirmou.
Sóstenes também disse que desconhecia a pauta que seria tratada pelos visitantes.
“Nunca soube que essas autoridades falariam sobre urnas. Mesmo que fosse, é proibido falar sobre urnas eletrônicas?”, questionou.
De acordo com reportagem do The Washington Post, os funcionários do Departamento de Estado Riley Bernes e Samuel Samson pretendiam se reunir com lideranças políticas em Brasília e discutir temas ligados ao processo eleitoral brasileiro. O jornal informou que a viagem foi cancelada após a negativa dos vistos.
Segundo o Itamaraty, a justificativa oficial apresentada pelo governo norte-americano para a missão era a realização de contatos sobre questões eleitorais e liberdade de expressão. O governo dos Estados Unidos não detalhou a agenda prevista para a visita.
A negativa dos vistos ocorreu em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Entre os episódios recentes estão o anúncio, pelo presidente Donald Trump, da indicação do deputado republicano Daniel Perez para a embaixada norte-americana no Brasil e a decisão do secretário de Estado, Marco Rubio, de anunciar tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que as medidas comerciais foram adotadas porque o Brasil não aceitou demandas apresentadas pelo governo norte-americano durante as negociações.
Procurado, o Itamaraty informou que não comentará os motivos da negativa dos vistos e reiterou que o processo de aprovação do indicado à embaixada dos Estados Unidos no Brasil segue em caráter sigiloso.
*Com Agência Pública






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