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Graciliano Ramos: 134 anos de um escritor que marcou a literatura brasileira

por | out 28, 2026 | Colunas, Geraldo Majella, Manchete | 0 Comentários

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Por Geraldo de Majella*

Graciliano Ramos [1892-1953] nasceu em 27 de outubro de 1892, em Quebrangulo, no interior de Alagoas. Nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026, completam-se 134 anos de seu nascimento. Morreu em 20 de março de 1953, no Rio de Janeiro, aos 60 anos, vítima de câncer no pulmão. Sua obra permanece entre as mais importantes da literatura brasileira, pela precisão da linguagem e pela capacidade de retratar as desigualdades sociais, a opressão e as condições de vida dos sertanejos.

Autor de Caetés, Vidas Secas, São Bernardo, Angústia e Memórias do cárcere, entre outras obras, Graciliano Ramos desenvolveu um estilo marcado pela economia das palavras, pela profundidade psicológica dos personagens e pela crítica às estruturas sociais que produzem pobreza e exclusão. Em Vidas secas, publicado em 1938, a trajetória de uma família de retirantes submetida à seca, à fome e à exploração ultrapassa o contexto regional e alcança dimensão universal.

Heloísa e Graciliano

Sua atuação, entretanto, não se limitou à literatura. A experiência como administrador público em Alagoas merece atenção, sobretudo pelo trabalho desenvolvido na educação e pela preocupação com a aplicação dos recursos públicos.

Em 7 de janeiro de 1928, tomou posse como prefeito de Palmeira dos Índios. No mês seguinte, em 16 de fevereiro, casou-se com Heloísa Leite de Medeiros, então com 18 anos. Sua administração municipal também ganhou notoriedade pelos relatórios enviados ao governo estadual, documentos que chamaram a atenção pela qualidade da escrita e pela transparência na prestação de contas.

Em 10 de abril de 1930, renunciou à prefeitura e, em 29 de maio, mudou-se com a família para Maceió. Dois dias depois, foi nomeado diretor da Imprensa Oficial de Alagoas, cargo do qual se demitiu em 29 de dezembro de 1931.

Em 18 de janeiro de 1933, assumiu a direção da Instrução Pública de Alagoas, função equivalente à de secretário estadual da Educação. Durante o governo de Osman Loureiro, dedicou-se à expansão da rede pública de ensino. Registros sobre sua atuação administrativa apontam a construção de escolas, a ampliação do número de professores e a distribuição de material escolar e tecidos para a confecção de uniformes pelas próprias famílias.

Os dados referentes à rede pública estadual indicam crescimento das matrículas: de 15.826 alunos em 1932 para 22.821 em 1933 e 25.840 em 1934. A frequência média também aumentou, passando de 11.285 alunos em 1932 para 15.264 em 1933 e 16.900 em 1934. Esses números dimensionam a expansão do ensino público no período, embora seja necessário considerar a série histórica completa para avaliar os resultados específicos de sua gestão.

Em 3 de março de 1936, Graciliano foi preso em Maceió, durante o governo de Getúlio Vargas, e levado para o Rio de Janeiro, sem acusação formal. Foi libertado em 3 de janeiro de 1937, após cerca de dez meses de encarceramento. A experiência seria posteriormente registrada em Memórias do Cárcere, publicado postumamente em 1953. Em agosto de 1936, ainda preso, teve publicado o romance Angústia, que recebeu o Prêmio Lima Barreto, instituído pela Revista Acadêmica.

Graciliano discursa na cerimônia de entrega do Carnet do PCB, com Cândido Portinari à sua direita, sentado ao lado de Astrojildo Pereira. À sua esquerda Pedro Pomar e Luis Carlos Prestes. Em pé, entre outros, Aydano do Couto Ferraz, Pedro Motta Lima, Álvaro Moreyra, Joracy Camargo, Jorge Medauar, Alina Paim, Ruy Facó, Jorge Amado.

Em 1945, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro. Sua trajetória reuniu literatura, administração pública e compromisso político, dimensões fundamentais para compreender a amplitude de sua atuação.

Valdemar Cavalcanti (crítico literário), Graciliano, Aloísio Branco (poeta), Rachel de Queiroz e José Auto (poeta e marido de Rachel). Maceió, 1932

Graciliano Ramos é lembrado sobretudo como escritor, mas sua trajetória como gestor público ainda é pouco estudada, especialmente sua atuação como diretor da Imprensa Oficial de Alagoas e dirigente da Instrução Pública estadual. Sua experiência administrativa merece estudos mais aprofundados, sobretudo no que diz respeito à prestação de contas, à expansão dos serviços públicos e à responsabilidade no exercício das funções que ocupou.

Celebrar os 134 anos de seu nascimento significa revisitar seus livros e reconhecer as diferentes dimensões de sua trajetória. Para Alagoas, preservar sua memória exige valorizar não apenas o romancista consagrado, mas também o administrador público cuja atuação oferece questões relevantes para a história da educação e da gestão pública brasileira.

*Jornalista e historiador

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