Por Geraldo de Majella*
JHC pretende governar Alagoas, mas sua candidatura vem sendo construída em torno de si mesmo. O indivíduo é apresentado como a própria solução dos problemas. Sua imagem ocupa o centro da narrativa, enquanto as ideias — ou a falta delas — ficam em segundo plano. É a estratégia do marketing em ação: bicicletas, camisa bem cortada, cabelos impecavelmente aparados e rosto maquiado compõem a imagem cuidadosamente construída do candidato.
O projeto político, nesse modelo, desaparece. O que se vende é o personagem.
É nesse ponto que entra o messianismo eleitoral: JHC é apresentado como aquele que chega para transformar e resolver. O eleitor é levado a acreditar na capacidade pessoal do candidato antes mesmo de conhecer suas propostas para o Estado.
A política deixa de ser confronto entre projetos e passa a ser exaltação de um indivíduo. Mais do que um programa de governo, constrói-se a imagem de um salvador.
Mas Alagoas é muito maior do que o personagem que JHC construiu de si mesmo.
O cartão de apresentação de JHC são as realizações da Prefeitura de Maceió: praças, espaços revitalizados e obras de forte apelo visual, transformadas em imagens para as redes sociais.
Uma praça pode melhorar a vida de uma comunidade, mas não responde aos grandes problemas de Alagoas.
É aí que o messianismo revela seu limite. Quando o candidato se apresenta como a própria solução, a sociedade deixa de ser protagonista. Seus problemas e diferenças ficam subordinados à narrativa do líder que chega para transformar tudo.
A pergunta, portanto, não deveria ser apenas “quem é capaz de fazer?”, mas “o que pretende fazer, para quem e de que maneira?”
Enquanto o candidato ocupar o centro de tudo, o projeto para Alagoas é uma peça ficcional.
Alagoas não precisa de um salvador. Precisa ser ouvida e governada. A história ensina que aqueles que se apresentam como salvadores quase sempre acabam revelando o embuste por trás do personagem.
*Historiador e jornalista






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