Por Geraldo de Majella*
Há 44 anos, Alagoas criava uma instituição que ajudaria a ampliar o acesso à formação artística e cultural. Em 16 de agosto de 1982, foi instituído o Centro de Belas Artes de Alagoas (Cenarte), resultado de um projeto concebido por Bráulio Leite Júnior para oferecer à população acesso ao ensino de diferentes linguagens artísticas.
Ator, teatrólogo, jornalista e escritor, Bráulio Leite Júnior presidia, à época, a Fundação Teatro Deodoro (Funted), órgão ao qual o Cenarte ficou vinculado. A criação do Centro de Belas Artes fazia parte de uma atuação mais ampla do gestor na área cultural e de um projeto voltado à ampliação da presença do poder público na formação e na difusão das artes em Alagoas.
Da Escola de Música ao Cenarte
A história do Cenarte começou antes de sua instituição formal. Sua origem está na Escola de Música de Alagoas (EMAL), que funcionava em um prédio anexo ao Teatro Deodoro.
O crescimento da procura pelos cursos, os resultados alcançados pela escola e o aumento da demanda levaram à ampliação das atividades. A experiência, inicialmente concentrada na formação musical, foi ampliada para outras linguagens artísticas, dando origem ao Centro de Belas Artes de Alagoas.
Desde o início, a proposta era ampliar o acesso da população ao conhecimento artístico e cultural. O Cenarte passou a oferecer cursos nas áreas de música, dança, teatro e artes plásticas, criando um espaço público de formação artística que atravessaria gerações.
Um projeto cultural mais amplo
A criação do Cenarte não pode ser dissociada da trajetória de Bráulio Leite Júnior à frente da Fundação Teatro Deodoro. Sua atuação esteve relacionada a um conjunto de iniciativas que ajudaram a estruturar equipamentos e espaços culturais em Alagoas.
Entre essas iniciativas estão o Teatro de Arena Sérgio Cardoso, o Museu da Imagem e do Som de Alagoas (Misa) e a Sala de Concertos Heckel Tavares. A criação e a organização desses espaços, juntamente com o Cenarte, revelam uma atuação voltada à ampliação dos equipamentos culturais e das possibilidades de acesso da população às diferentes manifestações artísticas.
Nesse contexto, o Cenarte representou mais do que a criação de uma escola de artes. A instituição passou a integrar uma política de formação cultural que colocava o ensino artístico como instrumento de acesso ao conhecimento e de desenvolvimento da vida cultural alagoana.
A primeira sede
Em seus primeiros anos, o Cenarte funcionou no bairro do Farol, na Rua Dr. Antônio Brandão, em prédio anexo ao Seminário. O espaço foi escolhido por oferecer condições consideradas adequadas ao desenvolvimento das atividades e ao atendimento da comunidade.
Posteriormente, o Centro de Belas Artes passou a ocupar o imóvel da Rua Dr. Pedro Monteiro, nº 108, no Centro de Maceió. O endereço carrega uma história que antecede a própria criação do Cenarte.
O prédio já havia abrigado o primeiro Jardim de Infância de Alagoas e a Rádio Difusora de Alagoas, pioneira na radiofonia do Estado. O imóvel tornou-se, assim, parte da memória cultural de Maceió e passou a abrigar uma instituição que também marcaria a formação artística de gerações.
Quatro décadas de formação
Ao longo de 44 anos, o Cenarte ofereceu cursos e atividades que aproximaram crianças, jovens e adultos da música, da dança, do teatro e das artes plásticas. Para muitos alunos, foi o primeiro contato sistemático com uma linguagem artística e, para outros, o ponto de partida de uma trajetória profissional.
Sua importância está também na dimensão pública de sua atuação. Ao oferecer formação artística, o Cenarte criou oportunidades para pessoas que, de outra maneira, poderiam não ter acesso a cursos e espaços de aprendizado nas diferentes áreas da arte.
A instituição tornou-se, dessa maneira, parte da memória cultural de Alagoas. Sua história não está apenas nos cursos oferecidos ou em sua sede, mas também nas pessoas que passaram por suas salas, nos professores que participaram de sua trajetória e nos artistas que tiveram ali uma parte de sua formação.
Um patrimônio a preservar
A história do Cenarte também é marcada por períodos de dificuldades e pela necessidade de manutenção de sua estrutura física. O prédio histórico passou por problemas que exigiram intervenções e, em 2026, entrou novamente no centro das atenções com as obras de reforma.
A recuperação do espaço recoloca em discussão não apenas as condições físicas do prédio, mas também a importância de preservar uma instituição que há quatro décadas participa da formação artística em Alagoas.
Aos 44 anos, o Centro de Belas Artes de Alagoas permanece ligado ao projeto que orientou sua criação: ampliar o acesso da população à arte e ao conhecimento cultural. Sua trajetória é também parte da história das políticas públicas de cultura no Estado e do legado deixado por Bráulio Leite Júnior.
Preservar o Cenarte, portanto, não significa apenas conservar um prédio histórico. Significa também preservar uma experiência de formação artística pública que, desde 1982, abriu espaço para que diferentes gerações de alagoanos tivessem contato com a arte e a cultura.
*Historiador e jornalista











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