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O Fortim Bass, a igreja N.S. da Apresentação e as ruínas da igreja de São Bento em minhas andanças pelo norte de Alagoas

por | 10 out, 2020

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Lagamar de Maragogi  

A pandemia nos colocou em isolamento social rigoroso durante sete meses. Os planos de viagens foram sustados, e os motivos eram os mesmos: fronteiras fechadas e os países onde abriram, os preços das passagens ficaram impraticáveis. Vânia e eu mudamos a rota e fomos visitar o norte de Alagoas. Saímos de carro de Maceió para Porto Calvo e Maragogi, onde visitaríamos monumentos históricos e comemoraríamos o aniversário de Vânia. A programação foi organizada, e seguimos viagem.

Eu e Vânia nas ruinas da igreja de São Bento

Iniciaríamos pelo Fortim Bass e pela igreja de Nossa Senhora da Apresentação, em Porto Calvo. O primeiro foi encontrado em 2015; o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) realizou a restauração e o entregou em maio de 2019. Localizado na ilha de Guedes, foi identificado a partir da pesquisa arqueológica de reconhecimento da cartografia holandesa entre os municípios de Porto Calvo e Porto de Pedras.
O responsável pela pesquisa, o professor Marcos Albuquerque, conta que “Nassau determinou a construção de uma estrutura logística na ilha de Guedes, onde ficavam os armamentos, munição e, sobretudo, a chamada ‘munição de boca’, ou seja, os alimentos para a tropa”.

Não foi possível realizar a visita ao Fortim Bass por causa da pandemia. A Secretaria de Cultura encontra-se fechada. Assim que houver controle da pandemia, voltaremos a Porto Calvo para conhecer o Fortim. Como disse a ex-presidente do IPHAN, Kátia Bogéa: “Nós [IPHAN] queremos transformar esse parque numa grande atração turística. É importante que o povo de Alagoas e o povo brasileiro possam usar esse sítio como um verdadeiro espaço didático para entender a história deste país”.

A igreja de Nossa Senhora da Apresentação estava aberta e a visitamos. É a mais antiga de Alagoas; sua construção teve início em 1575 e foi concluída em 1610. A igreja sofreu modificações ao longo do tempo e, mais recentemente, o IPHAN concluiu as obras de restauração. Esse foi um dos motivos que nos fez visitar a igreja e, mais uma vez, ficamos impressionados com a sua beleza.

 

Igreja de Nossa Senhora da Apresentação

Em Maragogi, no povoado de São Bento, visitamos o Sítio Arqueológico e Histórico da Igreja de São Bento, como são denominadas as ruínas da igreja. No final da tarde fomos ver o por do sol e a iluminação instalada pelo IPHAN, que descortinam um cenário cinematográfico no alto da colina. A fonte histórica utilizada pelo IPHAN foi “o mapa de Georg Marcgraf, datado de 1643, onde aparece uma igreja na comunidade de São Bento”.

Os três dias que passamos na região norte de Alagoas, entre Porto Calvo e Maragogi, lugares que já conhecíamos, foram diferentes pelas visitas aos monumentos históricos e também pelos passeios no lagamar do Maragogi, descrito pelo seu filho mais ilustre, o etno-historiador Dirceu Lindoso.

Vânia e eu não cansamos de avistar do Alto do Cruzeiro a enseada com dezenas de barcos, lanchas e barcaças fundeadas no lagamar, balançando com lufadas de ventos que aumentavam os movimentos das ondas e mais pareciam um balé aquático. Na costa de Alagoas, subindo para o norte e descendo para o sul, há um cordão de recifes ou lajes que Dirceu Lindoso disse ser o mar das lajes.

A cada viagem que fazemos a Maragogi, a vemos diferente. Desta vez não pudemos recorrer a quem mais a conhecia. Dirceu não vive mais; Maragogi agora é o lagamar e sua beleza infinita.

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