Maceió recebe, entre os dias 17 e 22 de agosto, mais uma edição do Agosto da Cultura Popular, iniciativa que reúne apresentações artísticas, debates, exposições e oficinas em diferentes espaços da capital alagoana.
Neste ano, o evento ganha a correalização dos calendários culturais Maceió Não Esquece e Rota de RExistência, projetos do Programa Nosso Chão Nossa História, voltado a ações de reparação pelos danos morais coletivos relacionados ao desastre socioambiental provocado pela mineração da Braskem.
A programação mantém uma tradição iniciada há mais de duas décadas pelo Núcleo Cultural Zona Sul e busca dar visibilidade às manifestações produzidas pelas comunidades, especialmente na região lagunar de Maceió.
Para o produtor cultural Rogério Dyaz, do Calendário Maceió Não Esquece, a iniciativa representa também uma oportunidade de discutir a cidade a partir da cultura produzida nos territórios.
“O Agosto Popular é uma festa e um momento de reflexão sobre cultura popular na construção do futuro, da Maceió do futuro, na constituição simbólica da cidade”, afirma.
A programação inclui atividades em comunidades, escolas, espaços culturais e no Centro de Maceió. Entre os destaques estão cortejos, rodas de coco, apresentações de bumba-meu-boi, capoeira, mamulengo, fanfarra e percussão, além de exposições e mesas de debate.
A coordenadora do Calendário Rota de RExistência, Maria Derivalda Andrade, destaca a importância das manifestações populares como instrumentos de preservação da memória e de fortalecimento da identidade comunitária.
“O mês de agosto celebra as festas populares históricas no Brasil e reafirma a cultura popular como Patrimônio Vivo transmitido pela oralidade, pelo corpo, pelo ritual e pela convivência comunitária”, afirma.
Segundo ela, a programação também pretende valorizar os saberes e modos de vida construídos pelas comunidades atingidas pelo desastre socioambiental.
“Oito anos depois do desastre socioambiental, ainda em curso, consideramos esta atividade como um espaço legítimo de identidade e resistência”, acrescenta.
Entre as ações estão a exposição itinerante “Lagoa em Sítio”, oficinas de criação de livros sensoriais para marisqueiras e encontros voltados à discussão sobre patrimônio, cultura popular, resistência e os impactos da transformação urbana de Maceió.
Os projetos Maceió Não Esquece e Rota de RExistência foram selecionados pelo edital do Programa Nosso Chão, Nossa História, iniciativa do Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais (CGDE) e do UNOPS/ONU para ações de reparação dos danos morais coletivos relacionados ao afundamento do solo causado pela atividade de mineração da Braskem.
Serviço
Agosto da Cultura Popular
Quando: de 17 a 22 de agosto
Onde: diferentes espaços de Maceió
Entrada: programação gratuita
17 de agosto – Dia Nacional do Patrimônio
Local: Escola de Samba Girassol, Conjunto Joaquim Leão
14h50 – Cortejo com Muvuca de Pifi
15h – Abertura institucional
15h30 – Debate “Patrimônio, Cultura Popular e Resistência no Caso Braskem”
Também haverá a exposição itinerante “Lagoa em Sítio”.
18 de agosto
Local: Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Alagoas (CAU/AL)
Participação do projeto Rota de RExistência na programação da Semana Nacional do Patrimônio Histórico, com apresentação da Mestra Zeza do Coco.
19 de agosto
Local: Escola de Samba Girassol, Conjunto Joaquim Leão
18h – Oficina de Criação de Livros Sensoriais para Marisqueiras
21h – Coco de Roda Flor de Mandacaru
Exposição “Lagoa em Sítio”.
20 de agosto
Local: Escola Estadual Dr. Julio Auto, Conjunto Joaquim Leão
16h – Apresentação do Mamulengo Caxapá
Exposição “Lagoa em Sítio”.
21 de agosto
Local: Restaurante Zeppelin, Centro
20h30 – Debate “A cultura popular e a reinvenção da cidade”
Na sequência, roda de coco com participações do Coco Pau de Arara, Mestra Zeza do Coco, Tércio Smith e Verdelinhos.
Exposição “Lagoa em Sítio”.
22 de agosto – Dia Nacional da Cultura Popular
Local: Praça da Guarda Municipal José Jordão dos Santos, Conjunto Joaquim Leão
A partir das 16h – Apresentações de grupos de capoeira, bumba-meu-boi, repentistas, fanfarra, percussão, escola de samba e bandas.
Exposição “Lagoa em Sítio”.






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