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Com açúcar e com swing

por | 18 mar, 2026

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Ouvir e ouvir e ouvir o álbum The Billy Magno Orchestra – The Pulse & The Heart, que estará em todas as plataformas do streaming, a partir do próximo dia 17, é como se fora uma dádiva, que viesse de outra época, de uma época de ouro das orquestras magistrais, dos arranjos com A maiúsculo, que o versátil, habilidoso e enciclopédico Billy Magno acaba de nos ofertar e a toda humanidade, com a generosidade de um autêntico representante do inesgotável manancial musical de Pão de Açúcar (AL), temperado pelas águas do Velho Chico e ungido pelas fontes de Tommy Dorsey, Benny Goodman, Artie Shaw, Glenn Miller, Harry James e todos os ícones da era do swing jazz.

Depois dessa estreia singular e portentosa, definitivamente, está provado que Billy Magno não é um músico, compositor e arranjador dos tempos atuais. Muito menos desse mundo caótico e avesso ao que não seja raso e superficial, onde a régua dos likes determina o tempo fugaz das coisas. Embora habite-o, Billy não pertence a esse mundo repleto de podres poderes, como nos alertava o poeta do Recôncavo Baiano. Porém, ele consegue ser dialético, porque transita como um felino entre os bibelôs da modernidade, com sua música construída e constituída de meticulosos detalhes, como sinapses químicas e elétricas, em impulsos apolíneos precisos e conexos, que vão muito além da grande rede mundial e seus múltiplos www.

Do Pico à Calmaria

De cara, The Billy Magno Orchestra evidencia um gráfico bastante interessante: vai do pico à calmaria, como algo cuidadosamente planejado para dar fôlego ao ouvinte. Tipo, alguém que escala uma íngreme montanha de um só fôlego, para ser recompensado pela tranquilidade e atmosfera regeneradora da vista deslumbrante no topo. Após todo o vigoroso impacto inicial dos seis primeiros temas, é na calmaria romântica dos temas finais, que o fruidor se refaz, para voltar ao começo, repleto de descobertas e desejos renovados. Para estabelecer o marco divisório das cenas cinematográficas e diegéticas desse belíssimo trabalho, Billy, ao piano solo, usou uma espécie de interlúdio lúdico, ‘Little Prelude’ (Billy Magno), com a delicadeza e expressividade de uma noite de lua à beira-mar.

Logo na primeira faixa, ‘Battele on F Street’ (Billy Magno), todas as credenciais são apresentadas, com absoluto louvor para todos, a começar pela bateria de Alex Duarte, num swing endiabrado, além da participação especialíssima do grande Hector Constita, em um solo energético de sax tenor, demonstrando que, aos 90 anos de idade, à época da gravação, todo grande músico é superior ao tempo! Na sequência, as coisas acalmam um tantinho, com o tema ‘Graças 305 Blues’ (Marcius Campelo), ressignificado num belo e estonteante fox-trot, com um solo manhoso de trombone, executado por Gláucio Sant’Ana, além do trompete afoito do alagoano Natan Oliveira, e do elegante sax alto de Thomaz Souza, todos eles irmanados à merecida homenagem prestada por Billy Magnum ao velho Marcius Campelo, um ícone da bateria alagoana.

Possibilidades Auditivas

Na introdução de ‘Baldacci’s Blus’ (Rico Baldacci), os tambores soam tribais em vários compassos, como a nos alertar que o sangue ferverá novamente. E o swing jazz toma corpo e conta da cena, para solos deleitosos, começando por Rico Baldacci (guitarra), depois Hector Costita (sax tenor), em mais show de improvisos, e Billy Magno (piano) ancorado pelo Walking Bass nervoso do contrabaixo de Danilo Vianna e a condução precisa da bateria, que não deixam a peteca cair. Na sequência, acontecem ‘Sunday Swing’ (Cleber Guimarães), ‘One For The Count’ (Billy Magno) e Swingin’ ‘On The Belly’ (Billy Magno), que finalizam o que podemos chamar de primeiro movimento do álbum, com solistas inspirados e Billy Magno demonstrando sua versatilidade de multi-instrumentista.

As quatro últimas faixas do álbum, ‘For A Love Theme’ (Billy Magno), ‘Just A Touch Of Charm’ (Wellington Pinheiro), ‘I Remember Petrus’ (Billy Magno) e ‘Valdice’ (Zé Gordo) abrem a perspectiva de uma nova possibilidade auditiva para esse primoroso trabalho. Quero dizer com isso, que Billy Magno, por meio da suavidade sonora e melódica dos temas e da primorosa mixagem e acabamento, que ele e o competentíssimo e mágico Manoel Cruz conseguiram realizar, tira-nos da condição de plateia boquiaberta e nos conduz para bem perto dos protagonistas, numa intimidade auditiva difícil de se ver e muito menos de ser alcançada pelo maçante brilho velado dos álbuns digitais de hoje em dia. Coisas como sentir o sopro característico na palheta do sax e o veludo da tessitura dos arranjos, são claramente perceptíveis, assim como os graves dos barítonos, que nos transportam à beira do cais.

Ode Aos Mestres

Sim, eis aí o conceito fundamental desse trabalho, além do fato de Billy Magno ter volvido à época de ouro das grandes orquestras e do jazz ortodoxo e tradicional, fazendo uma ode aos seus mestres e tutores musicais, para dar forma, vida e sonoridade ao que durante 25 anos ele maturou, desenvolveu e, resilientemente, soube esperar o momento certo para concretizá-lo. Como o próprio Billy esclareceu: “Esse disco é a vitória da vontade de fazer sobre a adversidade”. The Billy Magno Orchestra é um trabalho lapidado e basilar aos que ainda enxergam música como forma de arte.

Claramente, pelos títulos das músicas e ficha técnica em inglês, percebe-se que o foco desse trabalho não é o Brasil, pois, certamente, seríamos incapazes de percebê-lo como, por exemplo, Europa e Estados Unidos: um feito afeito à cultura musical embrionária desses povos, a partir da refinada sonoridade clássica das big bands da época de ouro. The Billy Magno Orchestra é um álbum cheio de histórias e que fará história, porque sua natureza embriaga mais do que o vinho!

No +, MÚSICABOAEMSUAVIDA!!!

Pulo do Gato: “O mais significativo é poder contar com amigos, pois sem eles isso não seria possível. É poder lembrar de Pão de Açúcar, através das figuras de Petrucio Ramos, com quem aprendi a orquestrar, e o seu irmão Zé Gordo, que me ensinou a arte do saxofone”. (Billy Magno)
Ouça aqui: https://lnk.dmsmusic.co/billymagno_thepulsetheheart

 

1 Comentário

  1. Yvan Fialho

    Parabéns ao meu filho Billy Magno pelo lançamento do seu álbum.
    Ouvi com muita atenção e percebi que o trabalho carrega a sonoridade das grandes orquestra americanas dos anos 40/50, porém com uma roupagem mais moderna.
    O Billy bebeu muito na fonte dos grandes músicos como Billy Vaughn, Ray Conniff, John Coltrane, Stan Getz, Milles Davis, e também de Severino Araujo e Petrucio Ramos, entre outros da escola americana como Tommy Dorsey, Benny Goodman, Artie Shaw, Glenn Miller e Harry James.
    É um belíssimo trabalho para quem gosta de música instrumental de excelente qualidade.

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