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O PCB e o Samba: Cultura Popular, Organização e Disputa de Hegemonia (1930–1964)

por | 17 fev, 2026

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Resumo

O presente texto analisa a atuação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) no campo do samba entre as décadas de 1930 e 1960, compreendendo-o como espaço de sociabilidade popular e disputa de hegemonia cultural. Argumenta-se que, embora o partido não tenha dirigido organicamente as escolas de samba, manteve interlocução com sambistas, blocos e associações recreativas, buscando articular cultura e política no interior da classe trabalhadora urbana.

Introdução

A consolidação do samba como símbolo nacional durante o Estado Novo coincidiu com a reorganização do PCB na clandestinidade. O partido, atento às formas culturais da classe trabalhadora, identificou no samba um meio privilegiado de comunicação política e de construção de identidade coletiva.

Samba, Trabalhadores e Militância

Nos bairros operários do Rio de Janeiro, especialmente na zona portuária e nos subúrbios, o samba articulava lazer, redes de solidariedade e experiências do mundo do trabalho. Militantes comunistas frequentavam escolas e agremiações, promovendo debates, jornais e atividades culturais. Figuras como Carlos Marighella dialogaram com artistas e intelectuais ligados à cultura popular, defendendo a valorização das expressões nacionais como parte de um projeto democrático e popular.

Cultura e Hegemonia

Inspirado em leituras marxistas da cultura, o PCB compreendia o samba como terreno de disputa ideológica. A aproximação com compositores e dirigentes de escolas buscava fortalecer pautas antifascistas, nacional-populares e trabalhistas. Ainda que nem todos os sambistas fossem comunistas, havia convergências em torno da denúncia das desigualdades sociais e da afirmação da cultura negra e operária.

Considerações Finais

A atuação do PCB no samba não se deu por controle institucional, mas por influência política e presença militante em espaços culturais populares. O estudo dessa relação revela como cultura e política se entrelaçam na história do movimento operário brasileiro, ampliando a compreensão do samba como prática social e campo de luta simbólica.

Marcos Aurélio Gomes Ribeiro
Professor de História Contemporânea do Brasil e Pesquisador do Movimento Sindical e Operário Brasileiro

 

Referências:

NAPOLITANO, Marcos. Cultura Brasileira: Utopia e Massificação (1950–1980). São Paulo: Contexto, 2001.

PARANHOS, Adalberto. Os Desafinados: Sambas e Bambas no “Estado Novo”. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

VIANNA, Hermano. O Mistério do Samba. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.

FERNANDES, Nelson da Nóbrega. Escolas de Samba: Sujeitos Celebrantes e Objetos Celebrados. Rio de Janeiro: Secretaria das Culturas, 2001

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