Moradores de Salinas, no norte de Minas Gerais, protestaram após descobrirem que uma mineradora de lítio recebeu autorização para captar água da barragem que abastece o município.
A autorização foi concedida pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) à PLS Brasil Mineração.
O volume autorizado corresponde a 1,43% da capacidade total do reservatório, segundo informações divulgadas sobre o processo.
A notícia causou preocupação entre moradores, principalmente por causa do histórico de escassez de água na região.
Em 2015, durante um período severo de seca, Salinas enfrentou problemas no abastecimento e moradores ficaram sem água nas torneiras.
A autorização para a mineradora, segundo relatos, foi descoberta de maneira informal, após uma conversa entre moradores e um trabalhador da empresa.
A falta de divulgação prévia da decisão se tornou um dos principais motivos de insatisfação na cidade.
Moradores foram às ruas com cartazes pedindo respeito à água utilizada no abastecimento municipal.
A barragem foi construída em 1992 e atualmente está com cerca de 80% de sua capacidade, conforme informações atribuídas à companhia responsável pelo abastecimento.
Para os moradores, porém, o nível atual não elimina o risco de novos períodos de escassez.
A preocupação aumenta porque a região do norte de Minas possui clima semiárido e enfrenta ciclos de estiagem.
Outro ponto questionado é a ausência de informações detalhadas sobre a vazão autorizada para a atividade mineradora.
O percentual de 1,43% não permite, sozinho, calcular quanto de água será efetivamente retirado do reservatório.
Também são relevantes dados como período de captação, vazão máxima e condições para suspensão da retirada durante períodos de estiagem.
A água será utilizada no beneficiamento do lítio, atividade que envolve etapas como britagem, moagem e separação do minério.
Mesmo com sistemas de reaproveitamento, o processo exige reposição de água devido a perdas por evaporação e pela umidade presente nos rejeitos.
A PLS Brasil Mineração atua na pesquisa e exploração de lítio no norte de Minas Gerais, região que ganhou destaque com o avanço da demanda mundial pelo mineral.
Salinas está fora do chamado Vale do Lítio, no Jequitinhonha, mas o avanço da atividade mineral tem ampliado o interesse por novas áreas no estado.
O Igam é o órgão responsável pela concessão de outorgas para uso de recursos hídricos em Minas Gerais.
Não há, no material divulgado, indicação de irregularidade na autorização concedida à empresa.
O principal questionamento dos moradores é sobre a transparência do processo e a comunicação com a população.
A discussão ganhou força justamente pela memória da seca de 2015 e pelo receio de que novos períodos de estiagem afetem o abastecimento.
Especialistas e moradores também apontam que decisões envolvendo recursos hídricos precisam considerar não apenas a situação atual do reservatório, mas as variações provocadas pelos ciclos de chuva.
O protesto em Salinas mostra o conflito entre a expansão da atividade mineral e a necessidade de garantir segurança hídrica para a população.
A exploração de lítio tem avançado em Minas Gerais impulsionada pela demanda por minerais utilizados na produção de baterias.
Nesse cenário, o uso da água se tornou um dos principais pontos de atenção para municípios que recebem novos projetos de mineração.
Para os moradores de Salinas, o debate agora é sobre como conciliar a atividade econômica com a preservação do reservatório responsável pelo abastecimento da cidade.
A população cobra informações mais detalhadas sobre a captação e seus possíveis impactos durante períodos de estiagem.






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