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Morre aos 100 anos indígena Karajá que estampou a cédula de 1.000 cruzeiros

por | 19 ago, 2025

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Reprodução

Djidjuke Karajá, anciã centenária da etnia Karajá, da aldeia Hãwalo — localizada em Santa Isabel do Morro, no sudoeste do Tocantins, na Ilha do Bananal — faleceu no dia 11 de agosto de 2025, aos 100 anos de idade.

Reconhecida nacionalmente por sua presença simbólica na cédula de Cr$ 1.000,00, lançada em 1990, Djidjuke estampou o verso ao lado de Koixaru Karajá. Essa nota circulou até 1994, em um período de intensa inflação no país.

Mais do que uma imagem impressa em papel moeda, ela se tornou símbolo de orgulho para os povos originários, marcando o reconhecimento da riqueza cultural indígena nas expressões oficiais do Estado brasileiro.

Djidjuke era uma guardiã de saberes ancestrais, especialmente da medicina tradicional. Por meio do uso de raízes, ervas medicinais, cerâmica, artesanato e confecção de bonecas ritxoko, ela ajudou inúmeras pessoas de sua comunidade, consolidando-se como referência espiritual e cultural.

Relatos familiares destacaram que ela nasceu com a condição de pajé desde criança. Essa situação era extremamente rara para mulheres de sua geração, dado que, tradicionalmente, as funções ritualísticas eram reservadas aos homens. Mesmo assim, Djidjuke rompeu esse padrão e se tornou líder espiritual desde cedo.

Em notas oficiais, tanto a Funai quanto o Distrito Sanitário Especial Indígena do Araguaia (DSEI Araguaia) expressaram profundo pesar pela sua morte, afirmando que Djidjuke deixou um legado indelével como símbolo de sabedoria ancestral e liderança entre seu povo.

Além da memória viva entre familiares, amigos e comunidade Karajá, sua imagem na cédula de 1.000 cruzeiros se mantém como marco histórico e cultural. A nota, emitida durante o governo de Fernando Collor, é até hoje valorizada entre colecionadores e considerada item de interesse numismático.

A trajetória de Djidjuke sensibiliza não apenas pela longevidade, mas também pelo papel que desempenhou como transmissora de cultura, saúde e espiritualidade. O fato de sua pintura facial — registrada na cédula e frequentemente lembrada — tornava-a imediatamente reconhecível em sua comunidade, evidenciando a força de suas raízes identitárias.

Seu falecimento representa a perda de uma liderança singular, mas seu legado segue vivo nas novas gerações do povo Karajá — filhos, netos e bisnetos que carregam adiante seus conhecimentos e valores.

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