A Bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados divulgou nota nesta quarta-feira (29) em que manifesta “profunda indignação” diante da política de segurança pública do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). O posicionamento ocorre um dia após a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital fluminense, que resultou na morte de pelo menos 64 pessoas — a ação mais letal da história do estado.
Para o partido, o episódio representa “a expressão máxima de um modelo falido e irresponsável” de combate ao crime. “É revoltante que o governador comemore uma ação que custou a vida de quatro policiais no próprio dia em que se homenageia o servidor público”, afirma o texto.
A nota critica o que chama de “estratégia de guerra” adotada pelo governo fluminense e aponta que o estado do Rio possui “uma das polícias que mais mata e mais morre no mundo”. O partido também acusa Cláudio Castro de ignorar políticas mais eficazes propostas pelo governo federal, como a PEC da Segurança Pública — que busca integrar forças federais, estaduais e municipais — e o PL Antifacção, voltado ao combate ao crime organizado com base em inteligência e descapitalização das quadrilhas.
“O governador admite publicamente usar operações como marketing político, enquanto sob seu comando o Rio é palco das maiores chacinas de sua história”, diz o documento, classificando a postura de Castro como “vergonhosa e eleitoreira”.
A bancada do PT rebate ainda a narrativa de que o estado estaria isolado no enfrentamento ao crime. Segundo o texto, o governo federal mantém atuação permanente no Rio por meio da Força Nacional, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, além de iniciativas como o Centro Integrado de Financiamento e Recuperação de Ativos (CIFRA), criado para atacar as fontes de financiamento do crime organizado.
“O povo do Rio de Janeiro não pode mais ser refém de uma guerra utilizada como palanque eleitoral”, conclui a nota. “A segurança pública deve ser uma política de Estado, baseada na inteligência, na integração e na humanidade, e não no oportunismo sangrento de quem transforma tragédias em ferramenta de campanha.”






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