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Série documental do Brasil de Fato vence Prêmio Vladimir Herzog na categoria Vídeo

por | 29 out, 2025

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Equipe do “Território em Fluxo” recebe o prêmio Vladimir Herzog de jornalismo – Igor Carvalho/Brasil de Fato

Na noite da última segunda-feira (27), a equipe do documentário “Território em Fluxo”, produção do Brasil de Fato, foi premiada no 47º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. A cerimônia aconteceu no teatro Tucarena, em São Paulo, e reconheceu a série documental como vencedora na categoria Vídeo.

Organizada em cinco episódios, a série está disponível no canal do YouTube do Brasil de Fato. A diretora executiva do veículo, Nina Fideles, celebrou o prêmio, afirmando que ele “rememora os porquês de se produzir jornalismo”. “É uma escolha diária […] permeada de muita paixão, de muita indignação, de muita vontade de contar história, muita conexão com a verdade, muito compromisso e engajamento”, disse ao receber o troféu.

Produzida ao longo de nove meses de apuração, a série busca romper com abordagens estigmatizantes sobre a Cracolândia, abordando o território a partir do cuidado e do direito à cidade. Os episódios — O Fluxo, Moradia, Segurança Pública, Saúde e Cuidado e Arte e Cultura — trazem relatos de quem vive e atua no local, mostrando práticas cotidianas de resistência e alternativas à política de guerra às drogas.

Antes da premiação, representantes dos projetos vencedores participaram da 14ª Roda de Conversa com os vencedores, espaço criado para discutir os bastidores das produções. A jornalista Beatriz Drague Ramos, da equipe do Brasil de Fato, contou que a pesquisa inicial buscava entender o destino da política de redução de danos extinta em 2017. “A gente percebeu que existia muita vida ali, muito por conta das pessoas que atuam diariamente, procurando olhar para a humanidade dessas pessoas”, destacou.

“Território em Fluxo” concorreu com séries como “Cuidados Paliativos: vida até o último dia de vida”, do Fantástico, e “Mães de luta”, da TV Brasil.

Na cerimônia, Ivo Herzog, filho do jornalista assassinado durante a ditadura militar, ressaltou a importância do jornalismo na defesa da democracia e dos direitos humanos. “É o poder que fiscaliza os outros três poderes, que permite que uma nação continue soberana, continue democrática, e trate seus cidadãos com dignidade”, disse.

O Prêmio recebeu 485 inscrições, distribuídas entre texto, vídeo, áudio, multimídia, fotografia, arte e livro-reportagem. O júri, composto por 58 convidados, selecionou os finalistas e eleitos em uma Sessão Pública de Julgamento, realizada em 7 de outubro.

Para marcar os 50 anos do assassinato de Vladimir Herzog, foi criada a categoria Defesa da Democracia, que destacou produções sobre política nacional e proteção do Estado Democrático de Direito, com 120 trabalhos inscritos.

Criado em 1979, o Prêmio homenageia Herzog, morto em 25 de outubro de 1975, no DOI-CODI. Desde então, reconhece produções que promovem direitos humanos fundamentais.

A partir de 2023, a premiação é organizada pelo Instituto Prêmio Vladimir Herzog, entidade formada por 18 organizações da sociedade civil e pela família Herzog, com apoio de universidades, coletivos e sindicatos.

A série vencedora reafirma o compromisso do Brasil de Fato com o jornalismo engajado e a defesa de direitos humanos, valorizando narrativas que dão voz a territórios historicamente marginalizados.

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