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63 anos de vida longe de gente chata, mal-humorada e avarenta

por | 2 jan, 2024

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Reprodução

“O importante é que a nossa emoção sobreviva”

Hoje, 2 de janeiro, é o dia em que comemoro aniversário. São 63 anos vividos e com pretensões de ultrapassar a barreira dos oitenta. Mas, para tanto, procuro seguir as recomendações médicas, como: tomar os remédios no horário, caminhar, praticar exercícios físicos (academia), não ingerir bebidas alcoólicas, não comer salgados, açúcar, enfim, uma vida de um quase monge tibetano.

Mas, quem imagina que estou insatisfeito, errou. As limitações estabelecidas pelos médicos não me deixaram depressivo, nem mal-humorado. Encaro a vida com naturalidade.

A vida não é um desfile em passarelas onde a beleza fica exposta todo tempo. Talvez, tenha pessoas de classes sociais abastarda, certamente, tem. A maioria vive com sacrifício e luta para sobreviver.

Os compositores Paulo César Pinheiro e Eduardo Gudin, quando fizeram Mordaça, uma obra prima, escreveram: O importante é que a nossa emoção sobreviva/E a felicidade amordace essa dor secular/Pois tudo no fundo é tão singular/É resistir ao inexorável/O coração fica insuperável/E pode em vida imortalizar.

Os compositores e poetas conseguem traduzir momentos da vida de pessoas e de uma nação numa canção ou verso.

Após o clima de baixo-astral a que o Brasil foi submetido nos seis anos de Temer a Bolsonaro, afastada a ziquizira, o país voltou a sorrir em 2023. Não sem esforços pessoais e coletivos e com o sobressalto da, felizmente, malsucedida intentona de 8 de janeiro, orquestrada pela vadia extrema-direita.

Gilberto Gil, em Realce, tem um verso que me toca particularmente: O que a gente não pode explodirá/A força é bruta/E a fonte da força é neutra/E de repente a gente poderá.

Noutro verso, Gil arremata: Não desespere, quando a vida fere, fere/E nenhum mágico interferirá/Se a vida fere com a sensação do brilho/De repente a gente brilhará.

A infelicidade dos anos trevosos passou, sendo descortinados pelo encantamento do belo, do brilho das artes que explodirá, sem perder a consciência de que a “força é bruta”.

Antes, na minha imaturidade, abracei padrões de vida a serem vividos por mim e pelos outros. A imaturidade vai se dissipando com os anos e a experiência adquirida. Como diz o cancioneiro: “O importante é que a nossa emoção sobreviva”.

Hoje, ao chegar aos 63 anos, o meu padrão é não ter padrão. Não busco modelos para me espelhar, o que me fascina é viver a vida afastando para longe os chatos, mal-humorados e avarentos.

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