sábado, 11 julho 2026
Nublado
Maceió
25°C
Nublado
Nublado
Maceió
25°C
Nublado

Estudo do FMI desmonta mito sobre Bolsa Família e participação feminina no trabalho

por | 17 fev, 2026

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Foto: Divulgação

Um estudo recente do Fundo Monetário Internacional reforçou um dado que já vinha sendo observado por pesquisas nacionais: o Bolsa Família não reduz, de forma sistemática, a participação das mulheres na força de trabalho. A análise, divulgada na quarta-feira (11), indica que a transferência de renda não funciona como desestímulo ao emprego feminino, contrariando argumentos recorrentes no debate público.

Atualmente, as mulheres são o principal público do programa. Dados de fevereiro mostram que, das 18,84 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família, 84,38% são chefiadas por mulheres — mais de 15,9 milhões de lares. São elas as responsáveis diretas pela gestão dos recursos, dentro de uma política coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

Para avaliar o impacto da transferência de renda sobre o mercado de trabalho, o FMI utilizou informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado aponta que a inserção feminina no mercado é decisiva para o crescimento econômico do país.

Segundo estimativas do Fundo, reduzir pela metade a diferença entre as taxas de participação de homens e mulheres — de 20 para 10 pontos percentuais até 2033 — poderia elevar o crescimento anual do Brasil em cerca de 0,5 ponto percentual ao longo do período. O principal obstáculo, no entanto, não é o Bolsa Família, mas a sobrecarga de responsabilidades domésticas e familiares.

No Brasil, mulheres dedicam, em média, 9,8 horas semanais a mais do que os homens ao trabalho de cuidado não remunerado. Entre mulheres negras, essa diferença chega a 22,4 horas por semana. O dado consta do estudo Políticas para a Corresponsabilidade no Mundo do Trabalho, lançado em 2025 pelo MDS em parceria com a Organização Internacional do Trabalho.

A pesquisa mostra que metade das mulheres deixa o mercado de trabalho até dois anos após o nascimento do primeiro filho. No mesmo período, homens tendem a aumentar seus rendimentos. O levantamento aponta a necessidade de políticas integradas, como ampliação de creches, serviços públicos de cuidado e estímulo à corresponsabilidade entre homens e mulheres.

Outro estudo citado, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em 2025, analisou o impacto do aumento do valor mínimo do Bolsa Família, em vigor desde 2023. A conclusão foi que a mudança não incentivou a migração de trabalhadores do emprego formal para o informal.

Entre os entrevistados, 34,4% apontaram a necessidade de cuidar de afazeres domésticos, filhos ou parentes como principal motivo para sair da força de trabalho — novamente, um fator ligado ao cuidado, não à renda transferida.

O estudo do FMI também chama atenção para a desigualdade salarial. Mulheres recebem, em média, salários 22% menores que os dos homens, mesmo quando consideradas escolaridade, idade, raça, setor e cargo. Essa diferença, avaliam os especialistas, pode desestimular a entrada no mercado, já que o custo de trabalhar fora, somado à falta de serviços de cuidado, muitas vezes supera o retorno financeiro.

Como caminhos para enfrentar o problema, o Fundo defende a ampliação do acesso a creches, serviços de assistência a idosos, ajustes na licença parental e a aplicação efetiva da Lei da Igualdade Salarial.

Voltado ao combate à pobreza extrema, o Bolsa Família transfere mensalmente recursos conforme a composição familiar, com adicionais de R$ 150 por criança na primeira infância e R$ 50 por gestante, nutriz e jovens até 18 anos. Os dados reunidos pelo FMI e por instituições brasileiras indicam que o programa atua como proteção social — e não como barreira — à autonomia econômica das mulheres.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *