Por Neirevane Nunes Ferreira de Souza*
O crime da mineração de sal-gema pela Braskem em Maceió acabou gerando outros crimes ambientais, como a extração predatória de areia para o tamponamento de suas minas. A Braskem tem contratado empresas para fazer o fornecimento de areia e, mesmo com a mineradora alegando receber o produto de fornecedores que possuem autorização para tal atividade, essa exploração está devastando áreas de restinga, inclusive, de Preservação Permanente, como as Dunas do Cavalo Russo, no Francês.
Assim, a Braskem vem alargando seu raio de destruição para outros municípios como Satuba, Marechal Deodoro, Barra de São Miguel e Feliz Deserto. Os danos ambientais e sociais são graves e não há, até o momento, um trabalho efetivo de recuperação das áreas que foram degradadas.
Em Feliz Deserto, a situação só tem piorado, uma tragédia anunciada. Há risco de rompimento dos lagos formados com a exploração, comprometendo os acessos ao município e causando inundações nas partes mais baixas da cidade porque Feliz Deserto está em nível mais baixo do que a rodovia. Esses lagos também servem de criatório pra vetores que causam doenças como Dengue e Chikungunya.
Além disso, sofremos com a perda da biodiversidade local porque muitos animais passam a migrar, afugentados pela atividade de extração de areia. Outro dano já evidente são as rachaduras nas casas da região próximas dos locais de exploração. É preciso dar um basta a essa atividade em Feliz Deserto, do contrário, os impactos serão ainda maiores. Assinem a petição pública neste link.
*É bióloga e doutoranda do Sotepp Unima






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