Crise humanitária

A crise humanitária que se abateu na Terra Indígena Yanomami, a maior do país, ganhou, enfim, os holofotes do mundo e a atenção nos primeiros dias do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A TI é assolada pelo garimpo de ouro —  estima-se mais de 20 mil garimpeiros ilegais na região.

No território vivem cerca de 26 mil indígenas dos povos Yanomami e ye’kwana em 321 aldeias. O território foi reconhecido como de ocupação tradicional, demarcado e homologado em 1992.

O quadro de devastação já vinha sendo denunciado por entidades especializadas, órgãos de controle e imprensa há tempos.

No dia 20 de janeiro, o governo federal declarou emergência em saúde pública no território após identificar uma alta de casos de malária, desnutrição infantil e problemas de abastecimento.

Em visita a Roraima, Lula prometeu dar dignidade ao povo Yanomami. A ministra da Saúde, Nísia Trindade, classificou a situação dos indígenas como uma emergência sanitária — pelo menos 1.556 pequenos Yanomami têm hoje algum déficit de peso e as crianças Yanomami morrem 13 vezes mais por causas evitáveis do que média nacional.

A Polícia Federal também instaurou inquérito policial na quarta-feira (25), por determinação do Ministério da Justiça, para apurar os crimes de genocídio, omissão de socorro, crimes ambientais, além de outros crimes conexos em Terras Indígenas Yanomami. A investigação tramita na Superintendência Regional da PF em Roraima e segue sob sigilo.

Segundo a Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (Ministério Público Federal), a omissão do estado em assegurar a proteção de suas terras levou a grave situação de saúde e segurança alimentar sofrida pelos Yanomami.

Essa omissão do governo de Jair Bolsonaro também colocou em risco os indígenas isolados que habitam o território. “O garimpo tem sido a principal ameaça à reprodução física e cultural dos Moxihatëtëma, cujo território se encontra cercado pela invasão garimpeira”, diz um relatório da Funai revelado pela nossa reportagem em 2021.