Segundo reportagem do ICL Notícias, um levantamento do Ministério da Fazenda revelou que, entre janeiro de 2024 e abril de 2025, empresas de diversos setores deixaram de pagar R$ 414 bilhões em impostos federais — uma média de R$ 25,8 bilhões por mês. A justificativa dos empresários é a de que as isenções ajudam a reduzir preços e a estimular a economia, mas, na prática, quem acaba bancando os custos é toda a sociedade, inclusive quem não consome os produtos ou serviços beneficiados.
A apuração do jornalista Fernando Molica, publicada no site Correio da Manhã, destaca a amplitude dos subsídios. Um dos casos mais inusitados é o incentivo fiscal de R$ 904 milhões destinado a pintos de um dia, filhotes de galinha usados para aprimorar o material genético do setor avícola.
Outros setores também se beneficiaram fortemente. As empresas aéreas, por exemplo, foram favorecidas com R$ 1,98 bilhão em renúncias fiscais. Ou seja, mesmo quem não viajou de avião contribuiu para baratear passagens e manter empresas do setor no azul.
O agronegócio aparece com destaque no relatório. Apenas a comercialização de soja gerou renúncia fiscal de R$ 5,9 bilhões — o que representa uma média de R$ 28 por brasileiro. No total, os subsídios voltados para fertilizantes, agrotóxicos, sementes, mudas e outros insumos agrícolas somaram R$ 77,37 bilhões.
Também foram isentos produtos do cotidiano, como carnes, queijos, peixes e até papel higiênico, cuja isenção chegou a R$ 2,2 bilhões.
O relatório da Fazenda identifica ainda quais empresas mais se beneficiaram. Em primeiro lugar aparece a Dairy Partners Americas (DPA), da área de alimentos, com R$ 16 bilhões em isenções — a empresa foi comprada pela francesa Lactalis. A japonesa Honda e a sul-coreana Samsung empataram com cerca de R$ 10,5 bilhões cada. Já a brasileira JBS figura em quarto, com R$ 4,9 bilhões.
Outras multinacionais citadas são Yamaha Motors, LG e a Syngenta (produtos químicos, origem suíça). Entre as aéreas, a TAM e a Azul tiveram isenções de R$ 2,5 bilhões e R$ 2,4 bilhões, respectivamente.
Duas políticas públicas específicas também contribuíram para o valor elevado das renúncias. A desoneração da folha de pagamento, prorrogada pelo Congresso, permitiu que empresas de 17 setores deixassem de pagar R$ 22,2 bilhões à Previdência. Já o Perse, programa de incentivo ao setor de eventos e turismo, resultou em renúncia de R$ 20,5 bilhões.
A reportagem reforça que, embora o objetivo das isenções seja fomentar a economia, a conta final recai sobre toda a população — mesmo sobre quem jamais comprou um bilhete aéreo ou nunca comeu queijo importado.





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