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O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União apresentou uma representação recomendando a abertura de procedimento para apurar a eventual participação de autoridades públicas federais em festas realizadas na casa de veraneio do banqueiro Daniel Vorcaro, em Trancoso, no litoral sul da Bahia. O documento é datado de 29 de janeiro deste ano.
Segundo o MP, os encontros, conhecidos como Cine Trancoso, teriam reunido “altas autoridades dos Três Poderes da República”, além de integrantes do mercado financeiro, da política e do meio jurídico. A representação menciona reportagem da revista digital Revista Liberta e lembra que a Folha de S.Paulo já havia publicado, em setembro de 2025, informações sobre eventos realizados no mesmo imóvel.
À época, a casa pertencia à empresária Sandra Habib, esposa de Sérgio Habib, presidente da JAC Motors Brasil. Entre 2021 e 2022, Vorcaro teria alugado o imóvel por temporada e, posteriormente, empresas ligadas ao banqueiro adquiriram a propriedade. A negociação passou a integrar um processo judicial que relata conflitos ocorridos ainda no período de locação.
Mensagens de WhatsApp anexadas ao processo mostram a indignação da antiga proprietária com episódios registrados na residência. Em um dos trechos, ela relata reclamações de vizinhos por som acima do permitido, presença de mais pessoas do que o autorizado em contrato e contratação de músicos, o que teria motivado a atuação da polícia local e de agentes ambientais.
Apuração da Folha com executivos, empresários e integrantes do setor público aponta que os encontros não teriam se limitado a Trancoso. Festas promovidas por Vorcaro também teriam ocorrido em outras cidades do Brasil e no exterior, incluindo São Paulo e eventos paralelos a encontros internacionais, como a Semana do Brasil em Nova York e o Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido informalmente como Gilmarpalooza.
O caso ganhou maior repercussão à medida que avançam as investigações relacionadas ao Banco Master, instituição ligada ao banqueiro. Entre interlocutores dos meios político e financeiro, circula a avaliação de que o receio sobre eventual divulgação de imagens privadas das festas — ainda que não configurassem ilegalidade — poderia reforçar a influência do anfitrião sobre convidados de alto escalão.
Procurada, a assessoria de Vorcaro afirmou, em nota, que a defesa “repudia as informações e alegações apresentadas”, classificando-as como baseadas em fontes não confiáveis e em narrativas distorcidas. Segundo o comunicado, trata-se de tentativa de difamação e de constrangimento público, sem relevância jurídica comprovada.
Até o momento, não há manifestação oficial da Polícia Federal sobre suposto acesso a imagens relacionadas aos eventos. O pedido do MP junto ao TCU busca justamente esclarecer se houve envolvimento indevido de agentes públicos e se a participação em encontros privados pode ter implicações administrativas ou éticas.
*Com Folhapress




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