
Reprodução/Chatgpt
As condições de trabalho de motoristas e entregadores por aplicativo voltaram ao centro do debate nacional, com destaque para os desafios enfrentados pelas mulheres na atividade. Além da precarização já apontada para o setor, trabalhadoras denunciam sobrecarga, insegurança e ausência de políticas específicas.
Reportagem da Agência Pública revelou casos de profissionais que tiveram rendimentos bloqueados para pagamento de dívidas, evidenciando a vulnerabilidade financeira da categoria. No caso das mulheres, o cenário é agravado pela chamada dupla jornada.
“Não temos pontos de apoio para ir ao banheiro, para trocar um absorvente. A gente cuida da família e dirige 12 horas por dia e, no tempo livre, ainda precisa cuidar da casa e dos filhos”, afirmou Carina Trindade, presidente do Sindicato dos Motoristas por Aplicativos do Rio Grande do Sul.
A dirigente integra um grupo de trabalhadoras que prepara um documento com reivindicações específicas para ser entregue à ministra das Mulheres, Márcia Lopes. A articulação conta com apoio da deputada federal Erika Kokay, que defende a inclusão dessas pautas em uma futura legislação para o setor.
Entre as propostas em discussão estão campanhas contra assédio e violência de gênero, oferta de apoio psicológico gratuito e a criação de um aplicativo exclusivo para mulheres, com recursos como botão de emergência e integração com forças de segurança.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que o Brasil tinha cerca de 1,7 milhão de pessoas trabalhando por aplicativos em 2024. Na última terça-feira (14), cerca de 1.500 trabalhadores participaram de um protesto em São Paulo contra o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, que trata da regulamentação do setor.
O texto em discussão na Câmara dos Deputados, relatado pelo deputado Augusto Coutinho, não contempla demandas específicas das mulheres, como auxílio-maternidade, protocolos contra assédio e medidas de segurança. Propostas como botão de pânico e possibilidade de corridas exclusivas entre mulheres também foram retiradas da versão mais recente.
Outra reivindicação considerada central pela categoria — a criação de pontos de apoio com estrutura básica — ficou de fora do projeto. Atualmente, muitas trabalhadoras dependem de postos de combustíveis para pausas, o que se torna ainda mais difícil durante a madrugada.
A expectativa é que o documento com as demandas das trabalhadoras seja finalizado nos próximos dias e apresentado ao governo federal, com o objetivo de ampliar o debate e incluir as especificidades de gênero na regulamentação do trabalho por aplicativos no Brasil.







0 comentários