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Nordeste concentra os piores salários para trabalhadores negros

por | 6 dez, 2025

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Levantamento divulgado pela Agência Tatu, com base em dados da RAIS 2024, mostra que os estados com as menores remunerações médias para pessoas que se autodeclaram pretas ou pardas – principal parcela da população negra – estão todos localizados no Nordeste.

Segundo o estudo, nos estados de Paraíba, Piauí, Alagoas e Rio Grande do Norte, a remuneração média dos trabalhadores negros gira em torno de R$ 2.321, enquanto trabalhadores brancos, nessas mesmas unidades, recebem em média R$ 3.161 – uma diferença de 36%.

A desigualdade também aparece em setores recentes da economia, como o trabalho por aplicativos digitais. Em 2022, motoristas e entregadores de aplicativo do Nordeste receberam, em média, cerca de 40,8% menos que profissionais do mesmo setor em outras regiões do país, segundo análise publicada pela Agência Tatu.

O cenário é ainda mais preocupante quando se considera que, no Nordeste, a maioria dos trabalhadores formais é preta ou parda – 71,9%, contra 47,7% da média nacional. Mesmo com esse peso significativo no mercado de trabalho, a população negra da região segue enfrentando barreiras estruturais, como apontam pesquisadores citados pela Agência Tatu em diferentes reportagens.

Para especialistas, essas disparidades não se explicam apenas por diferenças de formação ou escolaridade, mas refletem desigualdades históricas de acesso a oportunidades, mobilidade profissional e melhores postos de trabalho. A socióloga Marli Araújo destaca que “você tem aí um processo migratório eugenista no início do século XIX”, indicando que as raízes da desigualdade permanecem vivas no presente. Já o pesquisador e ativista antirracista Jeamerson dos Santos afirma que existe “uma colonialidade muito grande nas relações de poder”, que reforça desigualdades salariais e limita a ascensão social de trabalhadores negros.

A reportagem conclui que reverter esse quadro exige políticas públicas contínuas, compromisso do setor privado e mobilização social para enfrentar as distorções históricas do mercado de trabalho e promover maior equidade entre trabalhadores negros e brancos no Brasil.

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