Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra estudantes de um colégio estadual de Curitiba, integrante do programa de Colégios Cívico-Militares do Paraná, entoando um canto que faz apologia à violência e à eliminação de moradores de periferia. Nas imagens, adolescentes marcham na quadra da escola enquanto repetem o verso: “Homem de preto, qual é sua missão? Entrar na favela e deixar corpo no chão.” A cena ocorre sob a supervisão de um militar aposentado.
Segundo a APP-Sindicato, o vídeo confirma denúncias de doutrinação e violação de direitos de adolescentes dentro do modelo cívico-militar implantado pelo governo Ratinho Jr. (PSD). Para a entidade, o episódio evidencia um ambiente escolar marcado pela imposição de práticas militares e pela disseminação de discursos incompatíveis com a educação pública democrática.
O programa de Colégios Cívico-Militares foi implementado no Paraná em 2021, após consultas realizadas no ano anterior que, segundo relatos de comunidades escolares, ocorreram sob pressão e sem respeito à autonomia das unidades. A última consulta aconteceu em 2023.
Atualmente, 312 escolas cívico-militares estão em funcionamento no Paraná, número que se manteve mesmo após o governo federal extinguir, em 2024, o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), criado em 2019 na gestão Jair Bolsonaro. Apesar da descontinuidade nacional, o governo Ratinho Jr. mantém o modelo e prevê expandi-lo para 345 unidades até 2026.
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Para pesquisadores da educação e direitos humanos, episódios como o registrado no vídeo não são casos isolados, mas expressam o que classificam como “pedagogia do fascismo” — um conjunto de práticas que naturaliza a violência, militariza a convivência escolar e transforma determinados grupos sociais, especialmente moradores de periferias, em inimigos internos.
Esse tipo de pedagogia, afirmam especialistas, forma subjetividades autoritárias ao substituir o pensamento crítico por obediência, a diversidade por homogeneidade disciplinar e a cidadania por lógica de guerra. O canto entoado pelos adolescentes, que celebra ações violentas em “favelas”, é apontado como um exemplo claro da normalização da violência policial e da desumanização de populações vulneráveis dentro do ambiente escolar.
O Ministério Público do Paraná e a Defensoria Pública foram acionados por parlamentares e entidades para investigar o caso. Enquanto isso, o vídeo reacende o debate sobre o impacto da militarização da educação pública e sobre os limites pedagógicos, éticos e democráticos de programas que subordinam escolas à lógica de quartéis.






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