Um grave episódio de destruição da memória acadêmica e negligência com o patrimônio público vem chamando atenção de ex-alunos, servidores e estudiosos da história de Alagoas. A retirada e o descarte no lixo das tradicionais placas de formatura da antiga Faculdade de Medicina, que funcionou por décadas no prédio hoje ocupado pelo Museu de História Natural (MHN) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), na Praça da Faculdade, em Maceió, representa, segundo denúncia recebida pelo portal 082 Notícias, um verdadeiro crime contra a memória coletiva e institucional.
Segundo relatos, o prédio histórico, que já abrigou cursos da área de saúde e hoje é parte da estrutura museológica da Ufal, tem sofrido intervenções estruturais sem qualquer critério de preservação patrimonial. Placas de formaturas dos cursos da área da saúde do antigo Centro de Ciências Biológicas (CCBi) — algumas datando desde a década de 1970 — foram descartadas deliberadamente. “Mandaram destruir todas, apagando a história de gerações de profissionais formados pela universidade”, disse uma fonte ligada à instituição, em condição de anonimato.
Além do descarte das placas, também foi denunciado o desaparecimento de lustres e arandelas de alto valor simbólico e material do Salão Nobre, espaço tradicional de eventos acadêmicos e solenidades, não só da universidade, como também de relevância para a história da sociedade alagoana.
A fonte ainda aponta que o problema se estende para além do patrimônio físico. Segundo ela, há um cenário de desorganização administrativa e desrespeito ao próprio estatuto da universidade. “O estatuto determina eleições a cada dois anos, com possibilidade de renovação por mais dois. Mas houve diretor que permaneceu 12 anos no cargo, sem eleições ou reuniões regulares”, afirma. A situação revela um ambiente institucional fragilizado, com pouca transparência e distanciamento das normas democráticas de gestão universitária.
Mesmo com o esforço e dedicação de parte dos servidores do MHN, o que se observa, de acordo com a denúncia, é uma falta de articulação mais ampla dentro da Ufal para enfrentar esse processo de desmonte e abandono. “A sociedade alagoana precisa tomar conhecimento dos detalhes dessa questão. Não se trata apenas de vandalismo contra objetos, mas do apagamento da história de uma instituição que formou centenas de profissionais e contribuiu decisivamente para a vida acadêmica e social do estado”, conclui a fonte.
Procurada pelo 082, a Ufal não se manifestou oficialmente sobre o caso.








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