O fundo de pensão Maceió Previdência, que reúne os recursos dos servidores da Prefeitura da capital alagoana, está no centro de uma crise que ameaça a solidez de diversas instituições pelo país. O prefeito João Henrique Caldas (JHC) autorizou a aplicação de R$ 100 milhões em letras financeiras do Banco Master, papéis que não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Se o Master quebrar, as aposentadorias de milhares de servidores da cidade estarão em risco.
A situação não se restringe a Alagoas. De acordo com levantamento do Estadão/Broadcast, ao menos 12 fundos de pensão e um banco estatal – o Banco da Amazônia – carregam títulos do Master, somando R$ 1,81 bilhão. Entre os casos mais graves está o da Rioprevidência, do governo do Rio de Janeiro, que investiu R$ 970 milhões, cerca de 8% do seu patrimônio, e o da Amapá Previdência, que tem entre seus conselheiros Alberto Alcolumbre, irmão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). No total, as instituições expostas ao Master podem acumular R$ 2,96 bilhões em risco.
Conexões perigosas
O Banco Master, embora não seja alvo direto de investigações criminais, mantém laços com a Reag Investimentos, gestora que está sob investigação por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. A operação, chamada Carbono Oculto, é conduzida pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo.
A Reag administra diversos fundos vinculados ao Master, mas alega que o banco é apenas um entre seus vários clientes, sem qualquer ingerência sobre sua gestão. O próprio Master reforça que não há vínculo societário com a Reag. Ainda assim, a dúvida persiste: se a Reag administra diversos fundos do Master, os R$ 100 milhões dos funcionários da Prefeitura de Maceió estão sendo geridos por quem, afinal?
Um risco evitável
A decisão de aplicar recursos previdenciários em letras financeiras de alto risco — sem a cobertura do FGC — levanta questionamentos sobre a responsabilidade da Prefeitura de Maceió. Em vez de resguardar os recursos destinados à aposentadoria, a gestão JHC preferiu apostar em títulos de uma instituição que agora está no epicentro de uma crise nacional.
Com a reprovação pelo Banco Central da compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília), os riscos de não pagamento das letras aumentam e deixam expostos milhares de servidores.
A crise escancara uma pergunta incômoda: quem protegerá os aposentados de Maceió se essa aposta der errado?






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