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O estacionamento de Jaraguá, em Maceió, ficou tomado neste sábado, 7, por 152 ônibus climatizados do transporte coletivo apresentados pelo prefeito João Henrique Caldas (JHC) e pelo vice-prefeito Rodrigo Cunha.
O evento reuniu empresários do setor de transporte urbano e políticos da capital. A apresentação, com dezenas de veículos enfileirados para fotos e vídeos institucionais, buscou reforçar a ideia de renovação da frota. No entanto, dados observados nas próprias imagens indicam que nem todos os ônibus são novos.
Nas redes sociais, Rodrigo Cunha afirmou:
“Hoje colocamos 152 novos ônibus climatizados nas ruas da cidade, entre eles 21 Rapidões.”
Já o perfil oficial do prefeito destacou tratar-se da “maior entrega do Brasil”.

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Especialistas em transporte urbano analisaram, a pedido do 082 Notícias, a numeração dos veículos exibidos nas imagens e apontam que parte significativa da frota apresentada já circulava no sistema, tendo passado posteriormente por instalação de ar-condicionado ou reformas internas.
O que revela a numeração da frota do SIMM
Nos ônibus do sistema urbano de Maceió (SIMM), a numeração segue um padrão adotado pelas empresas operadoras:
• Primeiro número: identifica o lote ou a empresa;
• Segundo número: indica o ano do veículo;
• Dois últimos números: representam a ordem de entrada na frota.
Um dos veículos visíveis nas imagens é o ônibus 4360, da empresa Real Alagoas:
• 4 identifica o lote da empresa;
• 3 indica o ano 2023;
• 60 representa a sequência de entrada na frota.
Outro veiculo, de numeração 2304, pertencente à São Francisco, é de 2023.

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Ou seja, trata-se de um veículo que já operava no sistema há cerca de dois anos, não sendo um ônibus recém-entregue.
Já o veículo 2310 segue a mesma lógica:
• 2 lote da empresa São Francisco;
• 3 indica o ano 2023;
• 10 sequência de entrada na frota.
Outra forma de confirmar o ano do veículo é a consulta pela placa o sistema SINESP CIDADÃO:

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Frota inclui ônibus de anos anteriores
Segundo uma fonte do setor ouvida pela reportagem, a maioria dos ônibus apresentados pertence aos anos de 2022, 2023 e 2024. Muitos já operavam no sistema e foram posteriormente climatizados ou reformados, sendo incluídos no conjunto apresentado como “geladões”.
Na prática, o número divulgado parece resultar da soma de ônibus realmente novos com veículos antigos que receberam ar-condicionado.

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Qual seria o impacto se todos fossem novos?
Caso os 152 ônibus fossem efetivamente novos, o impacto seria expressivo. O sistema de transporte coletivo de Maceió (SIMM) opera hoje com cerca de 500 veículos e, segundo a licitação realizada em 2015, a cidade precisaria de 679 ônibus para atender plenamente a demanda.
Isso significaria uma renovação próxima de 30% da frota em um único momento, aproximando-se da meta prevista para o sistema.
Em situações desse tipo, é comum que administrações públicas divulguem indicadores claros de renovação da frota, como percentual de substituição ou redução da idade média dos veículos. No caso de Maceió, porém, não há detalhamento oficial sobre quantos ônibus são realmente novos e quantos pertencem à frota já existente.
Relação com o BRT
Especialistas também analisaram a relação entre o número de veículos apresentados e a futura operação do BRT de Maceió, prevista inicialmente com três linhas.
Sistemas desse tipo costumam operar com 10 a 12 ônibus por linha, o que indicaria uma necessidade aproximada de 30 a 40 veículos, podendo chegar a cerca de 50 no total.

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Estratégia de comunicação
A apresentação ocorre em meio ao esforço da gestão municipal de demonstrar a modernização do transporte coletivo, um sistema que enfrenta queda de usuários nos últimos anos. A tarifa também conta atualmente com subsídio significativo da prefeitura.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam, no entanto, que a forma como os dados foram divulgados pode levar a população a acreditar que todos os 152 ônibus seriam novos, quando parte deles já integrava a frota e passou apenas por adaptações, como instalação de ar-condicionado ou reformas.
A questão que permanece é direta: quantos ônibus são realmente novos e quantos pertencem à frota já existente? Afinal, os próprios códigos do sistema SIMM presentes nos veículos permitem identificar essa diferença nas imagens divulgadas.




Eu já conheço essa história, dentro de um mês, 70% destes Ônibus desaparecem.