segunda-feira, 13 julho 2026
Céu limpo
Maceió
22°C
Céu limpo
Céu limpo
Maceió
22°C
Céu limpo

“Eu te amo, caralho”: Wesley Safadão transforma São João de Maceió em palanque eleitoral para JHC

por | 30 jun, 2025

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Reprodução

O palco do São João de Massayó, em Maceió, virou palanque político na última quarta-feira (25), quando o cantor Wesley Safadão, com o maior cachê do evento – R$ 1,2 milhão pagos com dinheiro público –, declarou apoio explícito à candidatura do prefeito João Henrique Caldas (PL), o JHC, ao governo de Alagoas. Diante de uma plateia animada, o artista gritou: “Meu prefeito e futuro governador, eu te amo, caralho”, numa cena que misturou populismo, oportunismo e abuso do erário.

O episódio, que ocorreu durante o show de 1h40 no Pátio de Eventos de Jaraguá, está no centro de uma polêmica que vai além da bajulação explícita: trata-se de um caso claro de uso político de um evento financiado com dinheiro público, configurando possível campanha eleitoral antecipada.

Segundo dados oficiais, a prefeitura de Maceió, comandada por JHC, destinou R$ 20 milhões do orçamento de 2025 para bancar shows de artistas nacionais, a maioria de fora de Alagoas. O show de Safadão foi o mais caro do calendário junino. Em vez de investir na valorização da cultura local ou em políticas públicas essenciais, o município priorizou transformar o São João numa vitrine pessoal para o prefeito e seus aliados.

Não foi um deslize isolado. Safadão citou o nome de JHC pelo menos quatro vezes durante a apresentação. Entre músicas, agradecimentos e elogios, a figura do gestor foi tratada como celebridade, amigo íntimo e, principalmente, como pré-candidato ao Palácio República dos Palmares, deixando claro que o prefeito já está em campanha, ainda que fora do calendário oficial da Justiça Eleitoral.

A encenação levanta perguntas incômodas: quem está bancando a campanha antecipada de JHC? O cachê milionário serviu apenas ao entretenimento ou teve um propósito político deliberado? E onde entra o Ministério Público Eleitoral diante da clara infração à legislação vigente?

A fronteira entre cultura e marketing político foi atravessada sem cerimônia, diante de uma multidão e com aplausos cúmplices. O São João, festa popular marcada pela tradição e pelo encontro com a identidade nordestina, foi sequestrado por um projeto de poder que se alimenta de holofotes, cifras e bajulação.

Num país que discute a moralização dos gastos públicos e a necessidade de respeitar as instituições democráticas, cenas como essa – com juras de amor de um cantor a um gestor público no palco de um evento financiado pelo próprio gestor – não deveriam ser naturalizadas. Elas precisam ser investigadas, denunciadas e compreendidas como sintomas de um modelo de poder baseado na espetacularização da política e no uso patrimonialista do Estado.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *