Moradores do bairro de Garça Torta, no litoral Norte de Maceió, vêm se mobilizando há anos para defender a comunidade contra o avanço da especulação imobiliária, a depredação ambiental e a ausência de cuidados básicos por parte da Prefeitura de Maceió. A organização local reúne moradores antigos e novos em uma resistência permanente em defesa do território, do meio ambiente e do modo de vida do bairro.
A zeladoria urbana, responsabilidade direta do poder público municipal, não tem sido realizada de forma regular. O lixo não é recolhido rotineiramente, o que gera transtornos e riscos à saúde da população.
Diante da omissão da prefeitura, os próprios moradores passaram a assumir tarefas básicas. Em mutirões comunitários, eles limpam ruas, recolhem resíduos e cuidam da pracinha do bairro, garantindo que o espaço permaneça minimamente adequado para o lazer das crianças e para a convivência da comunidade.
Conhecida como um dos bairros mais charmosos de Maceió, Garça Torta abriga uma população diversa, formada por pescadores, artistas plásticos, músicos, professores universitários, surfistas e trabalhadores do setor de serviços. Um de seus moradores ilustres foi o cantor e compositor Djavan, cuja trajetória artística guarda vínculos com o bairro.
Garça Torta mantém um caráter bucólico, marcado por um ritmo de vida tranquilo, pela convivência comunitária e pela valorização da paisagem natural. A praia, os bares e restaurantes preservam uma gastronomia que atrai turistas e visitantes, que convivem de forma integrada com os moradores, sem descaracterizar o local.
A comunidade também está à frente da resistência à construção predatória, denunciando projetos da construção civil que ameaçam o equilíbrio ambiental e social do bairro. Os moradores criticam a postura da gestão do prefeito João Henrique Caldas (JHC), acusada de favorecer construtoras e abrir as portas da prefeitura para empreendimentos que desconsideram os impactos ambientais, urbanísticos e sociais.
Para os moradores, a defesa de Garça Torta é, ao mesmo tempo, uma luta por direito à cidade, preservação ambiental e respeito às comunidades tradicionais e urbanas que construíram a identidade do bairro ao longo do tempo.






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