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Moradores do Antares vivem sob barulho ensurdecedor e abandono público em obra bancada pela Braskem

por | 4 jun, 2025

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Foto: Divulgação

A promessa de modernização urbana tem custado caro à tranquilidade – e à saúde – dos moradores do bairro Antares, na parte alta de Maceió. Desde o início das obras da Linha Verde, uma nova avenida de 2,3 quilômetros que ligará a Durval de Góes Monteiro à Menino Marcelo, o cotidiano da comunidade se transformou em um inferno a céu aberto: ruídos ensurdecedores, paredes rachadas, infiltrações e a completa ausência de fiscalização por parte do poder público.

A obra é uma das ações previstas nos acordos de reparação firmados entre a Braskem, os Ministérios Públicos Federal e Estadual e a Defensoria Pública da União (DPU), após o colapso urbano causado pela mineração de sal-gema em Maceió. No entanto, o que era para ser reparação vem se transformando em nova fonte de sofrimento para a população. O barulho incessante das máquinas começa às 7h da manhã e segue até o fim da tarde, inclusive aos sábados.

Além da agressão sonora, a obra devastou cerca de 10 hectares de Mata Atlântica, agravando ainda mais o quadro de fragilidade ambiental em uma cidade já traumatizada por desastres causados pela própria Braskem. A destruição da vegetação nativa – realizada sem consulta prévia à população e sem transparência sobre os critérios ambientais – contradiz frontalmente o discurso de que os acordos visam compensar os danos já cometidos.

Casas próximas à construção já apresentam rachaduras, pisos com desnível e infiltrações provocadas pelas constantes vibrações de escavadeiras e caminhões. Mesmo diante das denúncias feitas nas redes sociais e na imprensa local, não há qualquer sinal de que a Prefeitura de Maceió esteja fiscalizando a obra ou que os órgãos signatários dos acordos – MPF, MPE e DPU – estejam acompanhando seus efeitos sobre a vida cotidiana da população.

O barulho e as rachaduras incomodam – e muito – os moradores. Mas o que incomoda ainda mais é o silêncio dos Ministérios Públicos e da Defensoria Pública da União diante das novas violações causadas por obras que, paradoxalmente, deveriam reparar antigas injustiças.

Em uma cidade marcada por um dos maiores desastres ambientais urbanos do país, provocado pela própria Braskem, é inadmissível que novos projetos financiados pela empresa repliquem a lógica da imposição, do silêncio e do desrespeito à população atingida.

Os acordos judiciais devem reparar – e não criar novas formas de sofrimento. A sociedade civil, os movimentos ambientais e as instituições de controle precisam romper esse ciclo de conivência e exigir transparência, fiscalização e justiça para quem vive à sombra das máquinas.

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